terça-feira, 15 de agosto de 2017

...


Vengo, con las manos sin llenar,
Vengo, porque tú no has vuelto más,
Vengo como un niño que se pierde,
Vengo por volver de nuevo a verte.

Perdóname, por tanto amor,
Por no vivir sin tu calor.
Perdóname, por no saber
Dejar morir mi corazón.

Vengo, como un ciego hacia la luz,
Siento en tus ojos mi quietud,
Siento que mi vida está en tus manos,
Vengo, porque no puedo olvidarlo.

Perdóname, por tanto amor,
Por no vivir sin tu calor,
Perdóname, por serte fiel,
Perdóname si aun te quiero yo.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Fim desta aventura (ou desventura)... da minha história de vida!

Esta narrativa da minha história de vida terminará aqui.

Hoje é o dia 10 de Agosto de 2017. O dia 10 de Agosto é uma data que já aqui referi várias vezes. Nesta data, mas em 1981, eu obtive a única fotografia que tenho da “diva Isabel”.

Muitos anos passaram, muitas coisas mudaram. A vida levou-nos por caminhos e atalhos distintos. 

Mentia se aqui dissesse que já esqueci essa “diva” (ainda hoje passei, propositadamente, à casa dela). Contudo, os anos ensinaram-me a aceitar os caprichos do destino sem ver neles a fatalidade. Muitas coisas acontecem por alguma razão que não controlamos. Porém, acredito hoje, nem sempre aquilo que nós mais desejamos seria o melhor para nós e para o curso tranquilo da nossa vida.

Finalizo aqui esta história de vida. Talvez continue algures noutro local.

Ficaram muitas coisas por dizer. Algumas foram suprimidas propositadamente, outras não foram relatadas porque a cronologia da minha narrativa ainda não tinha chegado a esse tempo – por exemplo, o facto de ter encontrado finalmente (em circunstâncias que custará aceitar) o facebook da “princesa Isabel”. Sim, hoje sei como ela é e vou sabendo algo sobre a sua vida (de forma artificiosa, pois não sou seu “amigo no facebook”). Gostaria de contar o erro grosseiro (a estupidez) que, mais uma vez, perpetrei, mas esgotou-se o tempo.

Talvez continue algures noutro local, não sei. Esta narrativa tinha três propósitos:

1 – Ajudar-me a resolver, de forma definitiva, um conflito que me acompanhava e que me atormentava há muitos anos (o resultado foi subtilmente imperceptível);

2 – Deixar esta narrativa para memória futura, na esperança de que a “diva Isabel” alguma vez a lesse (passou de pouco provável a impossível);

3 – Servir de exemplo daquilo que nunca se deve fazer. A minha vida foi (é) um acumular de erros grosseiros que ninguém deve cometer (não creio que tenha alguma utilidade).

Balanço geral: mais uma vez, como sempre, posso dizer que falhei.

Se alguém, por mero acaso, ler esta última “postagem”, quero pedir-lhe desculpa por lhe ter feito perder tempo com esta inutilidade. Aproveito, também, para lhe dizer que não perdeu nada em nunca ter lido um só dos “post” que aqui coloquei. Posso asseverar-lhe que deste lado está uma das pessoas mais pacíficas e respeitadoras do mundo. Contudo, é, muito provavelmente, a criatura mais humilde, inútil, palerma e patética que o leitor alguma vez conheceu.  

Em Fevereiro deste ano (de 2017) decidi narrar aqui uma parte da minha história de vida – a minha estranha afeição (direi melhor, veneração) a uma mulher (de nome Isabel Gonçalves) que, sem nada ter feito e sem sequer saber, moldou toda a minha vida, e cujo destino fez com que estivesse desde 1982 sem a voltar a ver. Quero apenas reafirmar que todos os factos aqui relatados correspondem à mais pura e cristalina verdade (omitindo alguns pormenores para não identificar pessoas e lugares).

A minha mais sincera e sentida gratidão às poucas pessoas que leram o meu blogue. Que Deus lhes dê tudo de bom, que a sua vida seja um jardim de onde irradia a mais luminosa e colorida felicidade, tenham uma saúde imaculada e realizem todos os sonhos.

 O meu bem-haja e… até sempre! 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Nem sempre é fácil...

As coisas nem sempre são o que parecem, nem sequer como nós as pintamos.

É impossível retirar da nossa vida uma pessoa em quem se está constantemente a pensar.

Na sequência da minha história de vida, eis-me chegado a um ponto em que eu procurava, avidamente, a “eterna princesa Isabel”. Não a procurava fisicamente, mas sim virtualmente. Pesquisava, revolvia, esquadrinha toda a Internet, usando todos os “motores de busca”.

Gostava de vê-la agora e tentar perceber por que razão eu nunca consegui aproximar-me dela. Queria poder ver nela uma pessoa do meu mundo, uma mulher igual às demais (com qualidades e imperfeições, porque eu sempre a vi apenas com excepcionais virtudes, perfeita e inigualável). Pretendia, também, comparar-me com o seu marido – no fundo seria fazer este exercício: como é que eu teria de ser para merecer a Isabel.

Porém, tudo isto assentava numa proposição inabalável: nada fará mudar o nosso normal curso de vida.  

Submergido em tal “congeminência”, apesar da tranquilidade e serenidade de ânimo, é natural que essa extraordinária figura se reeditasse nos meus sonhos, com muita frequência, com uma intensidade e em situações de um realismo assustador.

Em boa verdade, não seria um sonho que me atrapalhava. Era a sua repetição, numa sucessiva iteração de situações, em noites contíguas ou pouco distantes, criando uma sequência lógica.

Não sei interpretar os sonhos, nem tenho interesse nesse assunto. Contudo, fico com a sensação de que tais sonhos foram mitigando e substituindo, de forma inconsciente, a penosa dureza da realidade. Se estamos condenados a palmilhar, penosamente, um caminho áspero, severo e pedregoso chamado destino, tal facto não impede que a nossa mente projecte uma utopia quimérica, um ideal fantástico de vida num mundo tão inatingível como deleitoso e ambicionado.  

Em algumas ocasiões, felizmente raras vezes, os meus sonhos tornavam-se aterradores pesadelos. Sempre que neles via desenhar-se alguma situação que resultasse em sofrimento para a Isabel, era eu quem caía num tormentoso e atroz estado de angústia e desespero.

Nessas noites mal dormidas, cheguei a ter muita dificuldade em separar o sonho (involuntário) da minha imaginação voluntária.

Percebi, então, que a minha capacidade de resiliência era finita e mais débil do que eu imaginava. 

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Outro paradigma de vida, e uma procura diferente…

…Continuando…


Dizia no “Post” anterior que “recomecei a viver”. Assim foi, efectivamente. Passei a respirar vitalidade, a sorrir mais e lastimar-me muito menos, a ver um lado positivo em quase tudo, a usar uma máxima muito simples: “se hoje não consegui, não há problema, tento amanhã”.  
Muitas coisas mudaram na minha vida e de forma mais ou menos rápida.
Muitos dos conceitos em que baseava a minha filosofia de vida, os meus valores, a forma como me relacionava com a comunidade, com o mundo, com as pessoas e com a família, tal os meus objectivos, os meus projectos… tudo sofreu uma transformação que, no limite, resultou numa inversão para sentido diametralmente oposto àquele que até então defendia.
Paralelamente, iniciou-se um tempo de procura metódica e constante, sobretudo no ciberespaço, de notícias da minha celestial e eterna diva Isabel. Procurava, sobretudo, saber como ela era actualmente.
Agora, contudo, essa busca emergia com uma visão positiva e motivadora.
Colocava, então, duas questões:
 - Será que, no caso de encontrar uma foto sua na Internet, eu serei capaz de a reconhecer?
- O que farei depois de ver a sua foto ou de a ver pessoalmente?
Esta segunda questão baseava-se no pressuposto de que o meu grande objectivo era vê-la antes de morrer. Portanto, depois de a ver estaria cumprido tal desígnio. Seria caso de parafrasear Camões. “E se do mundo mais não desejais, Vosso trabalho longo aqui fenece…” Já não era esse o meu caso. Eu queria fruir da vida com toda a intensidade, ao máximo, sem limites, a cores e em todas as dimensões. Felizmente, eu tinha uma família formidável a quem devia doar mais dedicação, valorizar mais e disfrutar mais da sua coesão.        
Mesmo assim, a Isabel continuava a estar entre os componentes essenciais da minha rotina diária, numa versão diferente, mas sempre presente. O seu nome passou a figurar no histórico de todos os “motores de busca”, em todos os computadores a que tive acesso. Blogues, sites, imagens, vídeo… tudo foi, sistemática e lentamente, pesquisado, examinado e esquadrinhado a pente fino.
Eu aspirava vê-la, mas não queria que isso interferisse com a minha vida (nem com a dela). Mantinha-se uma antiga decisão que era, e sempre foi, definitiva: estava absoluta, irreversível e irredutivelmente afastada qualquer remota hipótese de interferir na sua vida, fossem quais fossem as consequências para a minha pessoa.
Embora, sempre que se proporcionava, eu continuasse a comprazer-me com passagens pela sua rua, mais concretamente pela sua casa, usando os motivos mais insignificantes e banais, a situação agora era muito diferente.
Eu tinha um outro motivo…   

domingo, 16 de julho de 2017

(Post reeditado) Um ponto de viragem e o emergir de uma vida nova …

[Terceiro assunto que aqui gostava de relatar - cont.]

…Continuando…

Como narrava no Post anterior, após finais dos anos 90 a minha história de vida sofreu uma grande evolução, mas no sentido regressivo - para pior.
Uma sequência de acontecimentos mais ou menos interligados e cronologicamente encadeados tiveram, sobre mim, um efeito demolidor.
Não sofri de uma depressão, mas antes de uma desilusão com a vida.
Há um tempo para tudo. Até para nos autocondenarmos.
A parte mais infausta e dolorosa dessa época foi a sensação de culpa. Sou daquelas pessoas que assume sempre, com exclusão de outrem, a culpa dos seus insucessos e nunca vê responsabilidade ou contributo relevante dos demais, nos seus fracassos e nos desaires  da vida. Para mim, os outros nunca têm culpa do que eu decido ou do que eu faço. Pertenço ao grupo daqueles que mais depressa imputam o destino do que uma pessoa.
Nos finais de 2014 e inícios de 2015, há uma evolução brusca dos acontecimentos.
Debilitado e desgastado, surge uma catadupa de problemas de saúde.
Há momentos na vida em que a morte, além de não nos assustar nada, pode parecer uma saída fácil e airosa para uma situação complicada. Desfortunadamente ou não, já fruí várias vezes dessa sensação, mas sobrevivi.
Na sequência cronológica desta minha história de vida, esse momento foi o início de um volte-face total – a minha vida sofreu uma inesperada rotação de 180 graus.
Dois motivos me seguraram à vida. O primeiro, e mais determinante dos dois, foi uma decisão que eu tomei no dia em que tive plena consciência do meu real estado de saúde. Decidi, nesse dia e nesse momento, que não podia morrer sem voltar a ver a Isabel. Fosse pessoalmente, fosse em fotografia, fosse em vídeo, fosse como fosse. O meu objectivo era ver como era agora a eterna princesa que eu conheci e que já não via há mais de 30 anos.
Sobre o segundo motivo manterei, por agora, reserva. Talvez ainda fale sobre ele, mas não o farei neste momento.
Nesse meu mundo cinzento e cada vez mais escuro, de repente, com uma simples ideia, tudo ganha cor, sentido e alento. Mais uma vez, a etérea imagem dessa mulher impossível e distante, determinava uma alteração de grande vulto, na minha vida.
Nesse mesmo dia começou a transformação.
Segui à risca todos os protocolos terapêuticos. Paralelamente, Iniciei, por conta própria e sem ajuda, um processo de recuperação da minha imagem e condição física.
Menos de um ano depois, havia perdido mais de 40 kg de peso, recuperado toda a mobilidade, toda a vitalidade e toda a vontade de viver. 
Voltei a algumas das actividades culturais de antes, passei a ver o mundo de forma muito diferente, a vida com outro valor, os amigos com outra importância. Alterei toda a minha filosofia de vida. Voltei a alguns dos meus passatempos preferidos.
Recomecei a viver.  

…/…

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Incidente Importante - III (A minha espiral regressiva - naufragando…)

…Continuando…
[Terceiro assunto que aqui gostava de relatar.]

Fruto das circunstâncias que relatei nos “Posts” anteriores, por essa altura, comecei a fazer uma análise retrospectiva de toda a minha vida. Chegou o tempo de sentir que falhei sempre e em tudo. Tudo o que fiz estava errado.
Fruto desse balanço da minha vida, comecei a sentir-me fragilizado e, sobretudo, um trapo amarrotado e inútil que andava a sobejar e estorvar neste mundo. 
Tomei consciência de que fui o único culpado da minha vida ser uma imbecilidade. Eu podia e devia ter procedido de forma diferente. No caso da Isabel, eu fui tão imbecil que deitei tudo a perder – estive tão próximo e afastei-me.
 Agora que tudo estava irremediavelmente perdido e depois de conhecer melhor a sua família, percebi que ela era mais frágil do que eu imaginava e que a vida dela também não foi um conto de fadas.
Penalizava-me, de sobremaneira, saber que nem sequer a voltaria a ver. Havia já tempo que a procurava…  
Desafortunadamente, para ajudar à minha derrocada, comecei a sentir algumas divergências com a minha consorte. Até com ela eu era um desastre…
Daí até perder o gosto por quase tudo, foi um pequeno passo.
Um dia recebi uma notícia absurdamente estúpida: o Luís, padrasto da Isabel, dera um tiro na cabeça. A bala ficou alojada no cérebro, mas ele não morreu (ainda viveu vários anos e só viria a falecer em 2007).
Perante um mundo desprovido de interesse e cada vez mais vazio e absurdo, eu fui arrumando na prateleira mais alta da minha vida (a mais inacessível e onde se colocam as coisas que não pensamos voltar a usar – por isso lhe chamo a “antecâmara do lixo”) praticamente tudo que eu gostava.
Rompi, definitivamente, com tudo aquilo que me dava alguma alegria e prazer: actividades/rotinas, passatempos, desportos, actividades culturais, convívio com amigos, preocupação com a minha saúde, a minha imagem… Tudo, tudo ficou na prateleira.
A minha vida resumia-se a um algoritmo simples: casa - trabalho/ trabalho – casa; comer; descansar e pouco mais.
Nada do que me rodeava despertava em mim grande atenção ou interesse. Eu sentia-me absurdo, estúpido, desnecessário, sem valor, sem utilidade, uma sucata nojenta e uma peça a mais num puzzle desorganizado. Não tinha nenhum motivo para lutar, para vencer ou para melhorar a minha vida.
Se nada me metia medo, também não encontrava nenhum motivo para me defender de nada ou aproveitar a vida.
Abandonei-me, abandalhei-me, “ajavardei-me”.
Contudo, nunca fui pessoa de grandes vícios. Nunca bebi, nunca fumei, nada de “substâncias estranhas”, nada de maus vícios, mas praticamente hibernei.    
Assim vivi uns anos.
A saúde degradou-se. Nada de ir ao médico...
Não tinha nenhum cuidado com a alimentação e abusava de coisas doces.
O meu peso aumentou exponencialmente (ultrapassei largamente os 120Kg). Perdi mobilidade, agilidade e vontade de fazer qualquer esforço.
Esta situação prolongou-se no tempo. Com o desaparecimento de alguns amigos, aumentou a minha queda.
Em Janeiro de 2013, inesperadamente, faleceu o António (Tone), irmão da princesa Isabel. O Tone assentara e estabilizara finalmente a vida com uma companheira espectacular. Acabava de ser pai de trigémeos. Sentia-se repleto de energia e de saúde. Era uma pessoa cheia de ideias e projectos. Na noite de 12 de Janeiro de 2013 sentiu-se mal, conduziu o seu carro até ao serviço de urgência do hospital e, infelizmente, faleceu poucas horas depois… foi o coração que o traiu – o mesmo problema que levou o seu pai e o seu irmão Joaquim.
Infelizmente eu não pude ir ao seu funeral.
Além de perder um amigo, cortava-se aqui a única ligação que eu tinha ao mundo da “minha eterna princesa”.
Juntando tudo isto, mudei o meu comportamento típico – em lugar de lutar, protestar, reivindicar, exigir e discutir, passei a calar-me, “amuar” e passar longos períodos sem falar, de preferência sozinho.
A minha espiral regressiva bateu no fundo no início de 2015…

…/…

sexta-feira, 7 de julho de 2017

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Incidente importante - II


 [Segundo assunto que aqui gostava de relatar.]
…Continuando…
Contava, no “Post” anterior, um “incidente” de grande relevo e que teve alguns efeitos colaterais, mesmo a longo prazo. 
Sobre tais consequências falarei mais adiante, se entretanto não desistir ou me arrepender.
Pouco tempo após a data do episódio que acabei de narrar, suportei outro incidente de “forte emoção”, acompanhado do irmão da Princesa.
Estando eu em casa do António (Tone), e depois de discutirmos sobre alguns assuntos técnicos que motivaram a minha ida sua a casa, eis que ele pergunta: «Estás com pressa?»
Respondi-lhe com toda a sinceridade: «Não. Pelo contrário, como tenho de esperar pela minha mulher que está na casa da mãe dela, quanto mais demorar, melhor.»
«Ainda bem!» - tornou ele - «nesse caso, vais comigo a casa da minha mãe…»
Fiquei petrificado, congelado, sem reacção possível. Estremeci todo. Senti o coração acelerar de forma descontrolada, a ponto de experimentar uma estranha sensação de ruído nos ouvidos e um latejar nas têmporas. Não fui capaz de lhe dizer que não, mas temi não suportar a comoção.
A casa da mãe dele – a Sra. Gracinda – ficava a uns quarenta metros. Custou-me imenso vencer essa distância e bloqueei toda a minha memória do que se passou nesse percurso. O tempo eclipsou-se. 
Entrados aí, senti-me nas ameias do castelo mais deslumbrante do universo, por ser a fortaleza que albergou a mulher mais importante do mundo. É-me quase impossível traduzir em palavras tudo o que senti. Aliás, prefiro não me alongar neste assunto. Sei que, se narrasse tudo o que me apetece descrever, tornar-me-ia tão inacreditável como ridículo, tão infantil como absurdo, tão incompreendido como aparvalhado. 
A Sra. Gracinda tratou-me com elevada gentileza. O Luís, seu marido, que sempre fora muito delicado comigo, foi de uma cortesia inexcedível, embora eu tivesse a sensação que ele estava num estado de “catatónico dopado” – ou seja, sobre efeito de medicamentos. Demonstravam sentir-se muito honrados com a minha visita. Isso era, para mim, motivo de grande orgulho e satisfação. Como eu gostava de poder explicar-lhes o meu estado!… Como adorava dizer-lhes por que razão sentia “pele da galinha” em todo o meu corpo.
A delicada senhora, por quem eu nutria um incondicional carinho e um excepcional respeito, percebeu o meu estado de retracção e tentou descontrair-me. Fez-me uma série de elogios e outras tantas perguntas amáveis. 
Tudo parecia estar controlado. Eis senão quando o tema “Isabel” entra na conversa.
Aí começou uma luta titânica para me aguentar apenas com os olhos baços.    
Infelizmente, desde cedo me habituei a sobreviver em situações que apelam ao limite da resistência. Fui sustendo a respiração, controlando os impulsos de contracção torácica que forçavam para desgovernar-se e os suspiros que ameaçavam evadir-se do peito. Tudo isto à espera de um instante de milagroso alivio ou de algo que me salvasse desta situação de quase naufrágio.  
Não sei dizer de que falamos, mas creio que me saí lindamente. Julgo que ninguém percebeu nada.    
Passado tão quebrantador sufoco, enquanto o Tone conversava com a mãe, abstrai-me do mundo e comecei a sonhar. Eis-me agora, jornadeando em fantasia, a ver-me possuidor da celestial graça de pertencer àquela família. Por breves instantes tornei-me uma das criaturas mais felizes do universo, relaxando, num mar de ventura e felicidade, em pleno paraíso. Por momentos fui uma pessoa feliz.
Meu Deus, como me apetecia abraçar aquela encantadora senhora, com a ternura do apego de mãe!…
Momentos depois, regressado à realidade terrena e durante o restante tempo que ali permaneci, sentia-me o ente mais inútil e pequenino da superfície da Terra.
Nas restantes vezes que ali fui, experimentei sempre a mesma sensação. 
Hoje, passados alguns anos, arrependo-me dolorosamente de não ter saboreado e partilhado esses momentos de outra forma - falando, questionando e descobrindo tudo sobre a “eterna princesa Isabel”.

…/…

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Incidente importante - I…

 (Estas postagens encontram-se também publicadas em outro blogue que iniciei)

... Continuando...
[Primeiro assunto que aqui gostava de relatar.] 

 A partir de finais dos anos 90, eu era já um grande amigo do irmão mais novo da Isabel. António era o eu nome - Tone, para o amigos. 
Dos quatro irmãos que a Isabel tinha, ele era o mais novo, embora mais velho do que a princesa. Também ele havia estado emigrado na Suíça. Na sequência de um acidente que tivera lá, na Confederação Helvética, decidiu regressar definitivamente à sua terra natal. Fez muito bem. Foi uma sábia decisão.
Construiu uma vivenda perto da casa da sua mãe e aí passou a viver.

Passamos a privar bastante em razão de possuirmos alguns hobbies e interesses comuns, nomeadamente a electrónica. Tornou-se habitual e comum ele frequentar a minha casa ou eu ir até à casa dele. A elevada estima e amizade mútua foi sempre, sem dúvida, muito mais engrandecida da minha parte, em razão de ele ser irmão da mulher mais importante do mundo.

Como é comum entre os amigos, tudo podia ser tema de conversa.

Certo dia, numa conversa corriqueira, o assunto resvalou para uma questão que eu nunca tinha abordado com ele – o tema da sua irmã veio ao de cima. 
A Isabel era a única irmã, os restantes quatro eram barões. Infelizmente, já só eram três, pois um dos irmãos, de nome Joaquim (José Joaquim) havia falecido pouco antes da data deste episódio que aqui estou a narrar. Aliás, foi por aí que iniciámos a nossa conversa. O Joaquim faleceu na Suíça, inesperadamente (vitimado por um problema cardíaco), em Novembro de 1998, com apenas quarenta anos de idade.

Como estávamos a falar da família dele e da Suíça, foi o Tone que chamou à colação o assunto da irmã, questionando: «Escuta, tu ainda chegaste a namorar com minha irmã… não foi?»

Eu, apanhado de surpresa, confessei-lhe a mais cristalina verdade: «Infelizmente não chegamos, propriamente, a namorar… isso era o que, nesse tempo, eu mais queria…»

Ele, perspicaz e directo como sempre, atalhou: «Bem, se não foram “propriamente namorados”, tu andaste “atrás dela” e gostavas dela…»

Fiquei um pouco atrapalho e com a voz a enovelar-se no peito. Mas, com uma réstia de coragem, consegui dizer-lhe: «Sim, gostava e… nem tu imaginas quanto!...»

Aquilo que ele me disse de seguida mexeu comigo de uma forma tão profunda, violenta e duradoura, que foi um dos motivos que me levou a escrever esta história de vida.

As palavras dele foram estas: «Conhecendo-te bem como eu te conheço, digo-te que tu não imaginas como poderias ter sido importante para ela… como a vida dela poderia ter sido diferente… e bem mas fácil!…»

Fiquei sem palavras. Os olhos turvaram-se e não tive coragem, nessa hora, de lhe pedir que explicasse o sentido das suas palavras.

Ele percebeu o meu estado alma e mudou de conversa, dizendo apenas: «Deixemos isso!».
Eu nunca mais esqueci este verdadeiro “incidente”, quer por não ter percebido o sentido e abrangência das suas palavras, quer pela forma e contexto em que se inseriu a nossa prosa.

Fui protelando, sucessivamente, uma conversa sobe o assunto, fosse por falta de oportunidade, fosse por falta de coragem minha. Desafortunadamente, demorei demais.

Mas, os incidentes de “emoções fortes” não tinham terminado…
…/…

domingo, 25 de junho de 2017

(Cont...) Tempo de decisões, partilha e “mudança para sempre igual”…


…Continuando…

1990 Foi um ano de extremos: aconteceram coisas muito más, mas, em contrapartida, tomei boas decisões.

A decisão de partilhar conjugalmente a vida com a minha namorada foi a minha bóia de salvação.

Sou daquelas pessoas que, quando toma uma decisão, seja boa ou má, segue-a e assume todas as responsabilidades a ela inerentes. Como ia a dizer no “post” anterior, tomei uma decisão e cumpre-me respeitá-la, sejam quais forem as circunstâncias e as consequências. A decisão que eu tomei foi esta: jamais a abandonar a minha “consorte” e ser-lhe sempre fiel. Decisão tomada, ponto final!

Assim foi e sempre assim será, no que à minha pessoa diz respeito. Peço a Deus que me ajude e dê saúde mental para manter a minha decisão.

No mês de Agosto desse ano de 1990, eu e a minha namorada unimos perante a lei, a sociedade, a comunidade e Deus, as nossas vidas. Casamos religiosamente na igreja paroquial da terra dela.

A partir dessa data, a minha vida funde-se com a da minha consorte, nos bons e maus momentos, nas grandes decisões e tendências, tal como nos mais insignificantes pormenores. 

Há, contudo, um detalhe que sempre mantive na mais privada reserva, não fui capaz de partilhar, nunca tive coragem de discutir com a minha consorte, não imagino como poderia fazê-lo, não me atrevo a imaginar a reacção dela e tenho medo de pensar nisso – é que, apesar de toda a cumplicidade, da plena partilha e união que nos preenche como casal, eu nunca consegui esquecer a Isabel. E, sempre que algo corre mal entre nós, sempre que eu me sinto ferido, magoado, injustiçado ou incompreendido, é na Isabel que busco refugio. Invocando-a “virtualmente”, falo com ela, confesso-lhe as minhas mágoas, partilho com ela aquilo que nunca seria capaz de fazer com criatura alguma.

É uma loucura e uma estupidez, eu sei, mas eu não consigo afastar isto da minha vida.

Retomando o fio da minha história de vida.

Por uma questão de reserva e respeito para com aminha consorte, não vou contar como foi a minha lua-de-mel, embora me apetecesse, porque, infelizmente, até aí fui (fomos) pouco bafejado pela sorte.   

Adiante…
Dois anos depois, em meados de 1992, nasceu o júnior mais velho.
Algumas coisas mudaram para nunca mais serem iguais. Porém, aqueles aspectos que eu mais queria que mudassem, desafortunadamente, mantiveram-se inalterados.

Ou seja, no fundo tudo mudou para um estádio em que ficou igual àquilo que já era antes.

Até ao advento do ano 2000 foram os melhores anos da minha vida. Vivíamos num Portugal mais livre do que hoje, mais justo, mais fraterno, mais amigo, menos hipócrita, com pessoas menos egoístas, muito menos velhacas, menos fechadas e, também, um ordenamento político, social e jurídico-legal infinitamente menos execrável do que aquele que hoje nos oprime e escraviza. Foi tempo de passear, viajar, conhecer e “gozar a vida”.


A partir de finais de 1999, mas sobretudo após o ano 2000, existiram três factos importantes que gostaria de aqui relatar. Falar sobre isso poderá fazer bem ao meu ego. Permitirá, assim o espero, exorcizar algum mal que ficou no peito. Não sei se serei capaz de falar sobre isso, mas vou tentar.  
 .../...

sábado, 24 de junho de 2017

Adiando o fim...

Efectivamente este blogue já não faz sentido.

É absurdo eu estar aqui a plasmar a minha vida privada.
 São assuntos particulares que não interesam a ninguém e é impossível que os intervenientes acedam a esta "História de Vida",  Por isso, este blogue já devia ter terminado.  Porém, porque quero fazer um backup de tudo o que aqui foi publicado, continuará online mais algum tempo.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Hoje é um dia muito especial.

22/06/2017 - Hoje é um dia muito especial.

Há 36 anos, neste dia, ocorreu um episódio que marcou e influenciou toda a minha vida.  Propus-me narrar, de forma tão exacta quanto possível, todos os acontecimentos reais que ocorreram nesse dia, as principais implicações ao longo da minha existência e os factos que sucederam na minha história de vida, desde essa data até hoje, motivados por esse episódio.

Para isso criei este blogue.

Na tarde do dia 22 de Junho do ano de 1981, sendo eu um jovem adolescente igual a tantos outros, inesperadamente, talvez por mero capricho do destino ou por simples acaso, cruzei-me com uma jovem da minha idade, numa avenida da sede do concelho onde morava.

Foi um encontro absolutamente extraordinário para mim.

Subitamente deparei-me, frente a frente, com uma “miúda” diferente de todas as pessoas que eu conhecia, tão maravilhosa, tão fascinante, absolutamente ímpar e tão sublime que me deixou estático. Esse encontro/visão ficou de tal forma gravado em mim que condicionou toda a minha vida, a partir desse instante, até ao presente momento – 22 de Junho de 2017.

Quis o destino que, infelizmente, a minha vida apenas se cruzasse brevemente com a dela, sem ter oportunidade de a partilhar ou caminhar lado a lado.

Sem ela imaginar, sem nada fazer, sem saber que eu existo, foi a pessoa mais importante da minha vida. Mesmo ausente, sem a voltar a ver nem ter comunicação com ela desde 1983, continuou a determinar a minha vida, o “meu futuro”, as minhas decisões e a minha existência.

O seu nome é Isabel. Hoje vive algures na Suíça, perto de Zurique, é casada, tem uma família que eu não conheço.

Desejo, do fundo do coração, que seja a pessoa mais feliz do mundo.

Embora não queira interferir na vida dela (prefiro morrer do que prejudicá-la), o que mais queria na vida era contar-lhe o que ela sempre representou para mim.

Como nunca lhe poderei contar nada disto, fui narrando esta "história de vida" na Internet, por se acaso, algum dia, o mesmo destino que me condenou a viver com a sua imagem no coração mas longe da sua presença tiver a bondade de permitir, que ela leia esta narrativa.

Por mais improvável que seja,  só o destino, o acaso ou ventura poderão fazer aquilo aquilo que não está ao meu alcance. Não posso nem consguiria fazê-lo pessoalmente e não creio que algum dia o possa fazer indirectamente. 
Que Deus te ajude, Isabel, e faça de ti e da tua família as pessoas mais felizes de todo o universo.


Portugal, 22 de Junho de 2017.   

terça-feira, 13 de junho de 2017

E, subitamente, tudo muda…


…Continuando…

Viajei, na “postagem” anterior, pelo ano de 1990, entre uma das datas mais tristes da minha existência e o início de um tempo e de uma vida diferente.

A minha namorada de então, minha consorte de hoje, demonstrou interesse em unir as nossas vidas. Foi a primeira vez que alguém me propôs algo de sério, de marcante e que demonstrava algum tipo de respeito pela minha humilde pessoa. 

Na verdade, saber que a minha namorada estava interessada em casar comigo tornou-se, rapidamente, numa espécie de motivo de orgulho. Afinal eu não eram tão inútil, tão desprezível e tão rude, a ponto de ser indigno de merecer o interesse de alguém. A minha namorada era (e é) uma pessoa muito ponderada e responsável.

Decidimos discutir o assunto do matrimónio de forma séria; primeiro, nas suas implicações e depois, em todos os seus pormenores. Lá fomos concertando, cuidadosamente, todos os aspectos, pesando todas as questões e tomando decisões – pela primeira vez eu decidia questões da minha vida em conjunto com alguém e partilhava problemas, propósitos, incertezas, objectivos e um projecto de futuro.

Entretanto, num desses dias, por mero acaso e ao contrário do que era comum, encontrei a mãe da Isabel (Sra. Gracinda) e o Luís (padrasto da Isabel). Eu não tinha nenhuma proximidade ou confiança com a Sra. Gracinda, embora adorasse a senhora, por ser a mãe da “pessoa mais especial do mundo” e pela sua simpatia. Com o Luís eu tinha alguma confiança. Como nos encontrámos num lugar estranho, entre pessoas desconhecidas, sentíamo-nos muito mais próximos. Falamos de uma infinidade de coisas. Julgo que o Luís estava a tomar algum tipo de medicação da família dos calmantes ou antidepressivos. Isso notava-se de longe, quer na postura, quer na forma como conversava. 

Foi ele que levantou o assunto: «Qualquer dia casas-te e ainda vais ser nosso vizinho!».
Fui sincero: «sim, estamos em pensar casar… mas, em princípio, vamos morar na minha terra…”

Ouvi-lhes (do Luís e da mãe da “diva Isabel”) palavras de incentivo, regozijo e votos de felicidades.

Pela primeira vez a Sra. Gracinda falou-me da Isabel. Embora não dissesse nada de especial, só de ouvir aquele nome mágico, senti um nó na garganta e, se não me tivesse retirado, não teria aguentado sem deixar escapar pelos olhos a expressão mais pura e involuntária da comoção que me invadiu o peito. Comecei a sentir os olhos a turbar-se e, antes que corresse mal, inventei uma desculpa para me retirar.

Infelizmente já faleceram os dois. Como sou crente, cristão e católico, peço a Deus que os acolha em lugar privilegiado no Seu Reino e estejam, juntamente com o meu querido pai, na morada reservada para a eternidade dos bons, dos justos e na gloriosa presença de Deus.

Depois deste “encontro”, que eu adorei, apesar de me ter custado alguns largos e profundos suspiros (e que, hoje, sinto que não aconteceu por simples acaso), senti-me ainda mais orgulhoso e decidido a empenhar-me no casamento.

No domingo seguinte, depois de assentar com a minha namorada mais algumas questões do nosso "consórcio", enquanto regressava a casa tomei uma decisão muito importante…   

…/…


domingo, 11 de junho de 2017

Post Provisório: Uma pergunta


Será que alguém tem paciência de ler esta minha paupérrima redacção?

Duvido que alguém tenha tanta benevolência, longanimidade e “falta de gosto”.

Contudo, deixo no ar uma pergunta (se acaso existir alguém, na blogosfera, que seja tão complacente e clemente que possa responder):

O que faria (quem ler esta história de vida) se fosse a Isabel e estivesse a ler isto?

Mandava dar-me uma grande tareia, não ligava, ou obrigava legalmente a eliminar tudo?


Ficava furiosa ou simplesmente não via mal algum neste blogue?


(Esta postagem será eliminada)

sexta-feira, 9 de junho de 2017

No meu "vale de lágrimas" surge um raio de sol …


…Continuando…

Terminei o Post anterior numa data que preferia apagar na minha existência ou olvidar definitivamente – o início do ano de 1990.

Em meados de Janeiro de 1990, sem que nada o fizesse prever, o mundo desabou abruptamente sobre mim. Inesperadamente faleceu o meu  Querido Pai.

O patriarca e grande aglutinador da minha família, uma pessoa com uma alegria e um sentido de humor do tamanho do mundo, muito dado à música e às artes cénicas, com uma estranha calma da têmpera do aço, muito ponderado, apreciador declarado e inabalável das coisas belas, um lutador intrépido pelos seus ideais, um verdadeiro “Pai-Amigo” e o meu único modelo, partiu aos 64 anos de idade. 
Eu não fiquei apenas órfão, fiquei moribundo, meio-morto. Nunca estive tão solitário e tão desprotegido. 

A forma como a minha família se comportou comigo, nesse fatídico dia, deixou-me ainda mais debilitado, inconformado e num sofrimento atroz. Pesa-me muito admitir e confessar isto, mas nesse dia percebi que os meus irmãos tinham muito pouco apreço por mim. Com poucas excepções (somos sete irmãos), também não foi grande o sofrimento dos meus manos pela partida do meu Querido Pai (era bem maior a preocupação deles com assuntos económicos e logísticos).  

Foi o momento mais difícil da minha vida.

Infelizmente, no seio da família alargada e entre os amigos (se alguns tinha) não obtive nenhuma forma de conforto.

A única fonte incondicional de conforto e ternura, o único ombro-amigo onde pranteei abastadas e dolorosas lágrimas, a única pessoa que apareceu em meu amparo e não arredou pé do meu lado, foi a minha namorada.

A minha vida transformou-se, novamente, num verdadeiro caos. E, nas semanas seguintes, quando regressei ao trabalho, passei momentos muito difíceis. Morava sozinho num apartamento, sem amigos ou conhecidos nas redondezas. Todo o tempo que tinha disponível fechava-me em casa e derretia-me em lágrimas e lamúrias. Invocava o meu Pai e, incessantemente, a Isabel – as duas pessoas que, paradoxalmente, representavam, para mim, o que havia de melhor no mundo e, simultaneamente, nestas condições, a maior fonte de sofrimento. Perdi as pessoas que desejava ter a meu lado.  

Os dias foram-se sucedendo e à dor que sentia veio somar-se um sentimento agudo, incisivo e angustiante de culpa. Sentia-me um traidor, um ingrato, um execrável bandido para com a minha namorada, que foi a única pessoa carinhosa e voluntariamente disponível para me apoiar. Não era justo que eu passasse o tempo a invocar a Isabel. Era a minha namorada que deveria estar sempre no meu pensamento, não a Isabel. O grande problema (que me atormentou a vida toda) é que eu não conseguia esquecer a Isabel. Nunca. Por mais que tenha tentado… não há fórmula mágica para esquecê-la.

Nesta época ganhei um vício terrível, que ficou e que não consigo largar (e que muito me incomoda) – falar sozinho.

Debilitado, amargurado, desiludido e sem encontrar algo que desse sentido à vida, e depois de pensar várias vezes em desistir de viver, creio que Deus me estendeu a mão, através da minha namorada. 
Num domingo, quando nos deslocávamos da minha casa para a casa dela, ela olhou-me bem fundo nos olhos e disse-me: «quero dizer-te uma coisa importante… eu quero partilhar o resto da minha vida contigo… casar contigo… acho que está na hora de pensarmos nisso!»

O sorriso que ela irradiava com o seu olhar pareceu-me o mais caloroso e abençoado raio de sol no “vale de lágrimas” em que eu vivia.

Nesse momento, senti o mundo parar à minha volta e o chão fugir-me debaixo dos pés. Mas, segundos depois, senti dentro de mim uma voz a dizer: «Ela tem razão… vai em frente!».

…/…


terça-feira, 6 de junho de 2017

Os loucos anos 1987-1989…


…Continuando…
[Hoje estou anormalmente chato...]

Estava a narrar, no Post anterior, a minha readaptação a vida civil, depois de ter vivido dois anos como militar da Marinha de Guerra Portuguesa e a minha entrada no “mercado do trabalho”.
O propósito deste blogue é narrar uma parte (e apenas uma parte - a parte sentimental) da minha “história de vida”, tentando ser o mais exacto e objectivo possível. Assim, porei de parte as questões profissionais. Abster-me-ei, por isso, de tecer grandes comentários sobre o que eu penso das relações de trabalho, do “carreirismo” e outras bestialidades, infelizmente muito na moda neste mundo turbo-capitalista, impessoal, egoísta e desumano.  Resumidamente e para atalhar: eu detesto este modelo de mundo em que vivo; detesto a filosofia extremista deste capitalismo materialista; não gosto do modelo de sociedade em que estou condenado a viver e, o pior de tudo, fere-me a forma cega e submissa com que as pessoas aceitam, resignadas e subservientes, a escravidão que lhes é ditada… e, pateticamente, sorriem, aplaudem, seguem religiosamente e agradecem.
Eu sinto-me mais espírito do que matéria, muito mais vida do que economia, mais Homem do que “unidade de trabalho”. Para mim, as pessoas estão antes de tudo, a minha família é o centro de todo o universo e a única coisa que hoje (para mim) conta, verdadeiramente, é desfrutar da vida da forma que eu gosto e não da forma que mais interessa à sociedade – que se dane a sociedade, pois isto é a única coisa que eu levo de ganho deste mundo… só tenho uma hipótese de viver e já fiz disparates a mais.  

Hoje, não alinho em grande parte das teorias modernas, da praxis social adaptada (cerceada de valores e pejada de banalidades), dos conceitos impostos pela "ditadura dos mass media", das convenções popularescas  e da execrável  filosofia do “Maria vai com as outras” (traduzido numa expressão imbecil – “isto agora é assim…”).   


Para ser sincero, não era nada disto que eu queria dizer.  
Adiante…
Entre Outubro de 1987 e finais de 1989, eu fui um verdadeiro “cão vadio”. Não porque fosse um doidivanas inconsequente, tão-pouco por ser um desregrado aventureiro, mas antes por não ter um projecto de vida ou um caminho de futuro delineado.
Era um autêntico saltimbanco. Tudo na minha vida era feito de improviso. Profissionalmente percorri uma parte do país. Sentimentalmente, não sei se era um náufrago, um barco à deriva, ou uma simples folha seca levada pelo vento. Ora desiludido, ora perdido, mas sempre um desprezível cobardolas com o coração seccionado. Se nunca abandonei a minha namorada (hoje minha consorte, mãe dos meus filhos e sol do meu universo existencial), mais do que uma vez me deixei escorregar para “quase-aventuras”, insensatas e sem nexo. Foi uma Anabela que gostava de jogar comigo ao “gato e ao rato” – um dia era “adoro-te”; no dia seguinte era “esquece-me”; foi uma Lúcia, para quem eu fui um “estapafúrdio corsário” (com ela perdi uma disputa: quem casasse primeiro tinha de primeiro tinha de pedir desculpa ao outro); foi uma Cristina que fazia os piores sacrifícios para me agradar, foi uma “Lara”, inconstante e bastante falsa… Contudo, com nenhuma delas tive alguma intimidade de relevo. Paralelamente, tinha um intocável cantinho do coração reservado para a “minha celestial diva Isabel”.
Tudo isto foram devaneios deste palerma, deste imbecil, deste ordinário cobardolas que mantinha (ora interrompia, ora reatava) uma ligação dúbia, inconstante e ténue com uma namorada dedicada, paciente e carinhosa. E, na retaguarda, uma família unida, impecável, calorosa e disponível.
No início de 1990, abruptamente, o mundo desabou sobre mim…

…/…