segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Naquele primeiro dia...

Continuando…

Ia eu a dizer que a história podia e devia ter terminado naquela tarde de verão que eu narrava no início. Isso mesmo, por via de regra, costuma acontecer sempre comigo. 
Desta vez, contudo, o desenvolvimento foi muito diverso.

Nessa tarde, depois daquela breve mas enérgica aparição, segui ao encontro da minha turma. Todavia, de forma inusitada e brusca, nessa fatídica tarde, para mim, tudo se tornou diferente. Os acordes da viola do João perderam a harmonia, faltava humor às piadas da Manuela, a companhia da sedutora Elisabete tornou-se uma penitência e não um prazer … nada tinha sentido.

Subitamente, eu via com outros olhos o mundo que me rodeava  e, se me perguntassem porquê, nem eu mesmo sabia explicar o que se passava. Não havia motivo, não tinha justificação.

Ao contrário do que costumava acontecer, fui o primeiro a debandar do grupinho.

Recordo-me da reacção da Elisabete, com um ar de desdém: “Já vais!?... Que Deus te guie… e escreve para mandar saudades!

Regressei a casa sozinho, sem vontade de falar com ninguém, com a sensação de que o mundo não presta nem tem nada de proveitoso.

Curiosamente, até ao cair da noite a miúda do “profético encontro “ não ocupava grande espaço na minha memória. Quase havia esquecido aquela inusitada aparição e a extraordinária sensação que me flagelou. 

Quando caiu a noite, com a entrada no recolhimento eremita do aconchego solitário do meu quarto, deu-se um fenómeno estranho – aquela “visão” ganhou vida.


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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Continuando...

A história podia, e devia, ter terminado aqui, ou seja, nessa tarde de Junho de 81.
Porém, feliz ou infelizmente (não tenho a certeza), não acabou.

[Estou retido na minha alcova com uma gripe abismal. Não consigo escrever, nem sequer ler.
Voltarei em breve.]

 ¡Hasta Pronto!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Era uma vez... nesse dia...


Atenção:
As "postagens" que se seguirão narram factos verdadeiros. Os lugares e os nomes próprios são igualmente verdadeiros. Mesmo assim, tudo farei para preservar o anonimato dos envolvidos, tentando evitar a identificação de lugares e pessoas. Se alguém se achar ofendido, prejudicado ou incomodado, p.f. contacte o autor (pelo e-mail: tristemente.sou@gmail.com), a fim reparar a situação.


As histórias usam começar pelo chavão: “Era uma vez…”
Eu, como sou anormal, quase-demente, excêntrico q.b., mas senhor do meu nariz, começo de forma distinta:

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No dia vinte e dois de Junho de mil novecentos e oitenta e um, eram umas cinco horas da tarde dessa segunda-feira de Verão sufocante, este insano, então muito jovem adolescente, havia combinado encontrar-se com os colegas de turma.

A minha terra natal está acomodada junto a um rio, lendário e encantador, que aparece cartografado nos mapas deste rectângulo Luso. Era junto a esse rio, com a estival temperatura moderada pela humidade fluvial e resguardados na comodidade da sombra das árvores da avenida que estava marcado o nosso “ponto de encontro”.

Nesse dia atrasei-me incomensuravelmente.
Demorei-me a ajudar uma pessoa que necessitava do meu apoio e, para um encontro marcado para as duas horas da tarde, excepcionalmente, chegava com três horas de atraso.

Embora com a alma preenchida por ter ajudado quem necessitava de mim, entrei na avenida mais desconsolado do que satisfeito. Ia, meio revoltado, a dizer com os meus botões: é sempre a mesma coisa… nunca me acontece nada de bom e só encontro pessoas para me ocuparem e maçar…

Nesse preciso momento encontro na minha frente, qual aparição celestial, uma figura ímpar, irrivalizável e inolvidável – uma miúda que me deixou completamente parado e sem reacção alguma, a não ser um arrepio que, como um choque eléctrico, percorreu todo meu corpo.

Seguramente ela nem me viu. Contudo, esse momento ficou gravado a fogo no mais profundo do meu peito.

Ela prosseguiu o seu caminho com toda a normalidade. Eu, depois de recomposto do choque, lá fui ao encontro da turma.  
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Aproveitando (de forma honesta) o dia de S.Valentim...

Ontem foi o dia dedicado à evocação da veneração de São Valentim.

Comercialmente, foi o “dia dos namorados”. Eu digo “comercialmente” porque, a bem da verdade, é tudo show off do markting e da sequiosa voracidade do comércio, num mundo cada vez mais desumano e mais materialista. Neste tipo de sociedade, a avidez do dinheiro, do comércio e do lucro fácil suplantam e substituem o amor.

Precisamente por isso, e remando contra a maré, quero iniciar aqui a narrativa de uma história de amor puro, intemporal e incondicional.

Esta história envolve pessoas de carne e osso, factos reais e objectivos, em circunstâncias e no tempo. Passa-se algures em Portugal e começa assim…


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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A propósito de trabalho...

Meu caro blogue:

Sabes que eu sou, assumida e irreversivelmente, um preguiçoso nato.

Detesto trabalhar. Essa coisa de “carreira”, “realização profissional”, “sucesso profissional” e afins, para mim são pura imbecilidade.

O trabalho tem um carácter penoso, por isso tem de ser remunerado. Não entendo as pessoas que gostam de trabalhar. Acho isso irracional.
A simples relação laboral é um atentado à liberdade e dignidade do ser humano. Já nem falo em coisas primárias e selváticas, como a venda de trabalhadores- curiosamente, no mundo do futebol, além de ser comum, é aceite com a mais aquiescente boa vontade. Os mesmos que aceitam tais aberrações, por certo, escandalizam-se com a venda de trabalhadores por parte de outras empresas. Enfim, toda gente quer descansar e passear ao domingo, mas protesta se o hipermercado estiver fechado, como se lá não trabalhassem pessoas que, para satisfazer a vontade dos clientes, são coagidos a sacrificar o seu domingo… burrices!

Contudo, entenda-se, há coisas que eu gosto de fazer.

Acabei ontem de escrever um novo guião para o meu grupo de teatro. É uma rábula sobre um emigrante de Leste que aprende a falar português com um bêbado. Claro está que o pobre estrangeiro aprendeu e imitar os tiques do bêbado e fala como se estivesse alcoolizado, com todas as consequências que daí advêm.

Ontem decidir dar um passeio. Fruto desse meu passeio, vou aqui narrar, brevemente, uma peça diferente: um acto só, com poucas cenas, mas com o comprimento/duração de uma vida.


Certamente, a ninguém interessa tal monólogo... Mas tu, meu blogue, sobes quão importante é esta “peça”. Só tu sabes!