terça-feira, 13 de junho de 2017

E, subitamente, tudo muda…


…Continuando…

Viajei, na “postagem” anterior, pelo ano de 1990, entre uma das datas mais tristes da minha existência e o início de um tempo e de uma vida diferente.

A minha namorada de então, minha consorte de hoje, demonstrou interesse em unir as nossas vidas. Foi a primeira vez que alguém me propôs algo de sério, de marcante e que demonstrava algum tipo de respeito pela minha humilde pessoa. 

Na verdade, saber que a minha namorada estava interessada em casar comigo tornou-se, rapidamente, numa espécie de motivo de orgulho. Afinal eu não eram tão inútil, tão desprezível e tão rude, a ponto de ser indigno de merecer o interesse de alguém. A minha namorada era (e é) uma pessoa muito ponderada e responsável.

Decidimos discutir o assunto do matrimónio de forma séria; primeiro, nas suas implicações e depois, em todos os seus pormenores. Lá fomos concertando, cuidadosamente, todos os aspectos, pesando todas as questões e tomando decisões – pela primeira vez eu decidia questões da minha vida em conjunto com alguém e partilhava problemas, propósitos, incertezas, objectivos e um projecto de futuro.

Entretanto, num desses dias, por mero acaso e ao contrário do que era comum, encontrei a mãe da Isabel (Sra. Gracinda) e o Luís (padrasto da Isabel). Eu não tinha nenhuma proximidade ou confiança com a Sra. Gracinda, embora adorasse a senhora, por ser a mãe da “pessoa mais especial do mundo” e pela sua simpatia. Com o Luís eu tinha alguma confiança. Como nos encontrámos num lugar estranho, entre pessoas desconhecidas, sentíamo-nos muito mais próximos. Falamos de uma infinidade de coisas. Julgo que o Luís estava a tomar algum tipo de medicação da família dos calmantes ou antidepressivos. Isso notava-se de longe, quer na postura, quer na forma como conversava. 

Foi ele que levantou o assunto: «Qualquer dia casas-te e ainda vais ser nosso vizinho!».
Fui sincero: «sim, estamos em pensar casar… mas, em princípio, vamos morar na minha terra…”

Ouvi-lhes (do Luís e da mãe da “diva Isabel”) palavras de incentivo, regozijo e votos de felicidades.

Pela primeira vez a Sra. Gracinda falou-me da Isabel. Embora não dissesse nada de especial, só de ouvir aquele nome mágico, senti um nó na garganta e, se não me tivesse retirado, não teria aguentado sem deixar escapar pelos olhos a expressão mais pura e involuntária da comoção que me invadiu o peito. Comecei a sentir os olhos a turbar-se e, antes que corresse mal, inventei uma desculpa para me retirar.

Infelizmente já faleceram os dois. Como sou crente, cristão e católico, peço a Deus que os acolha em lugar privilegiado no Seu Reino e estejam, juntamente com o meu querido pai, na morada reservada para a eternidade dos bons, dos justos e na gloriosa presença de Deus.

Depois deste “encontro”, que eu adorei, apesar de me ter custado alguns largos e profundos suspiros (e que, hoje, sinto que não aconteceu por simples acaso), senti-me ainda mais orgulhoso e decidido a empenhar-me no casamento.

No domingo seguinte, depois de assentar com a minha namorada mais algumas questões do nosso "consórcio", enquanto regressava a casa tomei uma decisão muito importante…   

…/…


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Este pobre e estúpido blog chegou ao fim!
Mesmo assim, fico-lhe muito grato pela atenção.
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Bem-haja e felicidades!