quinta-feira, 29 de junho de 2017

Incidente importante - II


 [Segundo assunto que aqui gostava de relatar.]
…Continuando…
Contava, no “Post” anterior, um “incidente” de grande relevo e que teve alguns efeitos colaterais, mesmo a longo prazo. 
Sobre tais consequências falarei mais adiante, se entretanto não desistir ou me arrepender.
Pouco tempo após a data do episódio que acabei de narrar, suportei outro incidente de “forte emoção”, acompanhado do irmão da Princesa.
Estando eu em casa do António (Tone), e depois de discutirmos sobre alguns assuntos técnicos que motivaram a minha ida sua a casa, eis que ele pergunta: «Estás com pressa?»
Respondi-lhe com toda a sinceridade: «Não. Pelo contrário, como tenho de esperar pela minha mulher que está na casa da mãe dela, quanto mais demorar, melhor.»
«Ainda bem!» - tornou ele - «nesse caso, vais comigo a casa da minha mãe…»
Fiquei petrificado, congelado, sem reacção possível. Estremeci todo. Senti o coração acelerar de forma descontrolada, a ponto de experimentar uma estranha sensação de ruído nos ouvidos e um latejar nas têmporas. Não fui capaz de lhe dizer que não, mas temi não suportar a comoção.
A casa da mãe dele – a Sra. Gracinda – ficava a uns quarenta metros. Custou-me imenso vencer essa distância e bloqueei toda a minha memória do que se passou nesse percurso. O tempo eclipsou-se. 
Entrados aí, senti-me nas ameias do castelo mais deslumbrante do universo, por ser a fortaleza que albergou a mulher mais importante do mundo. É-me quase impossível traduzir em palavras tudo o que senti. Aliás, prefiro não me alongar neste assunto. Sei que, se narrasse tudo o que me apetece descrever, tornar-me-ia tão inacreditável como ridículo, tão infantil como absurdo, tão incompreendido como aparvalhado. 
A Sra. Gracinda tratou-me com elevada gentileza. O Luís, seu marido, que sempre fora muito delicado comigo, foi de uma cortesia inexcedível, embora eu tivesse a sensação que ele estava num estado de “catatónico dopado” – ou seja, sobre efeito de medicamentos. Demonstravam sentir-se muito honrados com a minha visita. Isso era, para mim, motivo de grande orgulho e satisfação. Como eu gostava de poder explicar-lhes o meu estado!… Como adorava dizer-lhes por que razão sentia “pele da galinha” em todo o meu corpo.
A delicada senhora, por quem eu nutria um incondicional carinho e um excepcional respeito, percebeu o meu estado de retracção e tentou descontrair-me. Fez-me uma série de elogios e outras tantas perguntas amáveis. 
Tudo parecia estar controlado. Eis senão quando o tema “Isabel” entra na conversa.
Aí começou uma luta titânica para me aguentar apenas com os olhos baços.    
Infelizmente, desde cedo me habituei a sobreviver em situações que apelam ao limite da resistência. Fui sustendo a respiração, controlando os impulsos de contracção torácica que forçavam para desgovernar-se e os suspiros que ameaçavam evadir-se do peito. Tudo isto à espera de um instante de milagroso alivio ou de algo que me salvasse desta situação de quase naufrágio.  
Não sei dizer de que falamos, mas creio que me saí lindamente. Julgo que ninguém percebeu nada.    
Passado tão quebrantador sufoco, enquanto o Tone conversava com a mãe, abstrai-me do mundo e comecei a sonhar. Eis-me agora, jornadeando em fantasia, a ver-me possuidor da celestial graça de pertencer àquela família. Por breves instantes tornei-me uma das criaturas mais felizes do universo, relaxando, num mar de ventura e felicidade, em pleno paraíso. Por momentos fui uma pessoa feliz.
Meu Deus, como me apetecia abraçar aquela encantadora senhora, com a ternura do apego de mãe!…
Momentos depois, regressado à realidade terrena e durante o restante tempo que ali permaneci, sentia-me o ente mais inútil e pequenino da superfície da Terra.
Nas restantes vezes que ali fui, experimentei sempre a mesma sensação. 
Hoje, passados alguns anos, arrependo-me dolorosamente de não ter saboreado e partilhado esses momentos de outra forma - falando, questionando e descobrindo tudo sobre a “eterna princesa Isabel”.

…/…

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Este pobre e estúpido blog chegou ao fim!
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