sexta-feira, 2 de junho de 2017

O regresso, mas nada era como dantes…


…Continuando…


No início do Verão de 1987 aproximou-se o fim do serviço militar obrigatório.
Contemplando o tempo de férias a que tinha direito, ou seja, descontando um mês de férias ao tempo efectivo de tropa, na prática, saí da Marinha de Guerra Portuguesa na primeira semana de Junho desse ano. Passei à “disponibilidade na reversa” (em terminologia militar), mas continuei a comer e dormir no Hospital da Marinha, ainda que fosse já civil, por mais uns quinze dias, por questões académicas. Embora eu tivesse (e tenho) bastante família em Lisboa, entre os colegas militares sentia-me muito muito mais livre e autónomo.  
Passados esses dias, regressei definitivamente à minha terra natal, ao meu “habitat natural” e tentei retomar a vida que tinha dois anos antes. Já não foi possível. Estava tudo mudado.
Pronto, a alegria de regressar à liberdade plena e com a sensação do dever cumprido tornou-se numa desilusão. 
Muitos dos meus amigos já não estavam aqui, tinham casado ou partido por motivos de trabalho. Os lugares que juntos frequentávamos também já não eram iguais – ou haviam já fechado ou tinha nova gerência e o ambiente era totalmente diferente.
Mais uma vez tive de reorganizar a vida social, reconstruir rotinas, reordenar prioridades e, dentro do possível, retomar o que restava do “meu mundo”.
As primeiras semanas foram, incrivelmente, muito difíceis.
Entretanto, comprei uma motorizada nova – uma Sachs V5.
O primeiro passeio foi, obviamente, uma passagem pela casa da minha “diva Isabel”. Eu tinha absoluta certeza que ela estava na Suíça, julgo que estava casada e, imaginava eu, talvez tivesse já filhos. Contudo, isso não era importante. Eu sentia-me “preenchido” se soubesse que ela era feliz. Curiosamente, ao contrário do que era comum acontecer, nesse dia encontrei o padrasto dela, o Luís, mesmo junto à sua casa. Parei e conversamos largamente, sem nunca tocar no “assunto Isabel”. Regressei a casa felicíssimo e realizado.
As semanas seguintes foram de readaptação à liberdade da vida civil e de aventuras.
Sentia-me tão livre, ávido de viver e tão despreocupado que me afastei da minha namorada. Foram mais “umas férias” do que uma aventura.
Assim passou o Verão de 1987.
Em Setembro, na altura das “festas do concelho”, reatei com a minha namorada.
Um mês depois, ainda sem ter terminado a faculdade, ingressei na profissão e na carreira que ainda hoje tenho.

Enveredei por uma profissão que nunca me havia cativado. Também nisso por influência a "minha Diva Isabel" (mas esse assunto fica par outra ocasião).
Amadureci um pouco mais, pois os primeiros tempos voltaram a ser de adaptação, longe do meu “habitat natural”.
Porém, longe de casa e dos amigos, em ambiente “hostil e estranho”, voltou o “síndrome” da minha “diva Isabel”. 

…/…


1 comentário:

  1. Te felicito, escribes en un presente que llega y queda...

    Un abrazo y a continuar luchado por los sueños...

    Mari.

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Este pobre e estúpido blog chegou ao fim!
Mesmo assim, fico-lhe muito grato pela atenção.
Se quiser contactar o autor use o e-mail: tristemente.sou@gmail.com
Bem-haja e felicidades!