terça-feira, 6 de junho de 2017

Os loucos anos 1987-1989…


…Continuando…
[Hoje estou anormalmente chato...]

Estava a narrar, no Post anterior, a minha readaptação a vida civil, depois de ter vivido dois anos como militar da Marinha de Guerra Portuguesa e a minha entrada no “mercado do trabalho”.
O propósito deste blogue é narrar uma parte (e apenas uma parte - a parte sentimental) da minha “história de vida”, tentando ser o mais exacto e objectivo possível. Assim, porei de parte as questões profissionais. Abster-me-ei, por isso, de tecer grandes comentários sobre o que eu penso das relações de trabalho, do “carreirismo” e outras bestialidades, infelizmente muito na moda neste mundo turbo-capitalista, impessoal, egoísta e desumano.  Resumidamente e para atalhar: eu detesto este modelo de mundo em que vivo; detesto a filosofia extremista deste capitalismo materialista; não gosto do modelo de sociedade em que estou condenado a viver e, o pior de tudo, fere-me a forma cega e submissa com que as pessoas aceitam, resignadas e subservientes, a escravidão que lhes é ditada… e, pateticamente, sorriem, aplaudem, seguem religiosamente e agradecem.
Eu sinto-me mais espírito do que matéria, muito mais vida do que economia, mais Homem do que “unidade de trabalho”. Para mim, as pessoas estão antes de tudo, a minha família é o centro de todo o universo e a única coisa que hoje (para mim) conta, verdadeiramente, é desfrutar da vida da forma que eu gosto e não da forma que mais interessa à sociedade – que se dane a sociedade, pois isto é a única coisa que eu levo de ganho deste mundo… só tenho uma hipótese de viver e já fiz disparates a mais.  

Hoje, não alinho em grande parte das teorias modernas, da praxis social adaptada (cerceada de valores e pejada de banalidades), dos conceitos impostos pela "ditadura dos mass media", das convenções popularescas  e da execrável  filosofia do “Maria vai com as outras” (traduzido numa expressão imbecil – “isto agora é assim…”).   


Para ser sincero, não era nada disto que eu queria dizer.  
Adiante…
Entre Outubro de 1987 e finais de 1989, eu fui um verdadeiro “cão vadio”. Não porque fosse um doidivanas inconsequente, tão-pouco por ser um desregrado aventureiro, mas antes por não ter um projecto de vida ou um caminho de futuro delineado.
Era um autêntico saltimbanco. Tudo na minha vida era feito de improviso. Profissionalmente percorri uma parte do país. Sentimentalmente, não sei se era um náufrago, um barco à deriva, ou uma simples folha seca levada pelo vento. Ora desiludido, ora perdido, mas sempre um desprezível cobardolas com o coração seccionado. Se nunca abandonei a minha namorada (hoje minha consorte, mãe dos meus filhos e sol do meu universo existencial), mais do que uma vez me deixei escorregar para “quase-aventuras”, insensatas e sem nexo. Foi uma Anabela que gostava de jogar comigo ao “gato e ao rato” – um dia era “adoro-te”; no dia seguinte era “esquece-me”; foi uma Lúcia, para quem eu fui um “estapafúrdio corsário” (com ela perdi uma disputa: quem casasse primeiro tinha de primeiro tinha de pedir desculpa ao outro); foi uma Cristina que fazia os piores sacrifícios para me agradar, foi uma “Lara”, inconstante e bastante falsa… Contudo, com nenhuma delas tive alguma intimidade de relevo. Paralelamente, tinha um intocável cantinho do coração reservado para a “minha celestial diva Isabel”.
Tudo isto foram devaneios deste palerma, deste imbecil, deste ordinário cobardolas que mantinha (ora interrompia, ora reatava) uma ligação dúbia, inconstante e ténue com uma namorada dedicada, paciente e carinhosa. E, na retaguarda, uma família unida, impecável, calorosa e disponível.
No início de 1990, abruptamente, o mundo desabou sobre mim…

…/…


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Este pobre e estúpido blog chegou ao fim!
Mesmo assim, fico-lhe muito grato pela atenção.
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