quinta-feira, 1 de junho de 2017

Um "recuerdo" saído do coração...

[Das poucas coisas que me restam do meu tempo militar, eis um singelo e muito pobre poema. À falta de valor literário opõem-se a imensidão do meu sentimento... juro!]

Da minha janela eu vejo
Uma estrela cintilante
Que no infinito, além, mora.
Quando contigo sonho, noite fora,
Eu pergunto-lhe por ti,
Porque a saudade é enorme.
E ela, silenciosa, piscando os olhos sorri,
Como quem diz: «Dorme! Dorme!»
É àquela estrela solitária,
Imóvel companheira do vazio,
A quem às vezes confio,
Numa confissão diária
Dos meus queixumes de amante:
«Sabes, o meu maior desejo
É que tu levasses um beijo
Àquela em que penso agora!»
E ela, tão silenciosa e constante,
Pisca ternamente os olhos e sorri,
Assim respondendo ao que lhe digo:
«Ela manda outro para ti,
Enquanto dorme e sonha contigo.»

Hospital da Marinha, Lisboa, 06/06/1986