segunda-feira, 10 de julho de 2017

Incidente Importante - III (A minha espiral regressiva - naufragando…)

…Continuando…
[Terceiro assunto que aqui gostava de relatar.]

Fruto das circunstâncias que relatei nos “Posts” anteriores, por essa altura, comecei a fazer uma análise retrospectiva de toda a minha vida. Chegou o tempo de sentir que falhei sempre e em tudo. Tudo o que fiz estava errado.
Fruto desse balanço da minha vida, comecei a sentir-me fragilizado e, sobretudo, um trapo amarrotado e inútil que andava a sobejar e estorvar neste mundo. 
Tomei consciência de que fui o único culpado da minha vida ser uma imbecilidade. Eu podia e devia ter procedido de forma diferente. No caso da Isabel, eu fui tão imbecil que deitei tudo a perder – estive tão próximo e afastei-me.
 Agora que tudo estava irremediavelmente perdido e depois de conhecer melhor a sua família, percebi que ela era mais frágil do que eu imaginava e que a vida dela também não foi um conto de fadas.
Penalizava-me, de sobremaneira, saber que nem sequer a voltaria a ver. Havia já tempo que a procurava…  
Desafortunadamente, para ajudar à minha derrocada, comecei a sentir algumas divergências com a minha consorte. Até com ela eu era um desastre…
Daí até perder o gosto por quase tudo, foi um pequeno passo.
Um dia recebi uma notícia absurdamente estúpida: o Luís, padrasto da Isabel, dera um tiro na cabeça. A bala ficou alojada no cérebro, mas ele não morreu (ainda viveu vários anos e só viria a falecer em 2007).
Perante um mundo desprovido de interesse e cada vez mais vazio e absurdo, eu fui arrumando na prateleira mais alta da minha vida (a mais inacessível e onde se colocam as coisas que não pensamos voltar a usar – por isso lhe chamo a “antecâmara do lixo”) praticamente tudo que eu gostava.
Rompi, definitivamente, com tudo aquilo que me dava alguma alegria e prazer: actividades/rotinas, passatempos, desportos, actividades culturais, convívio com amigos, preocupação com a minha saúde, a minha imagem… Tudo, tudo ficou na prateleira.
A minha vida resumia-se a um algoritmo simples: casa - trabalho/ trabalho – casa; comer; descansar e pouco mais.
Nada do que me rodeava despertava em mim grande atenção ou interesse. Eu sentia-me absurdo, estúpido, desnecessário, sem valor, sem utilidade, uma sucata nojenta e uma peça a mais num puzzle desorganizado. Não tinha nenhum motivo para lutar, para vencer ou para melhorar a minha vida.
Se nada me metia medo, também não encontrava nenhum motivo para me defender de nada ou aproveitar a vida.
Abandonei-me, abandalhei-me, “ajavardei-me”.
Contudo, nunca fui pessoa de grandes vícios. Nunca bebi, nunca fumei, nada de “substâncias estranhas”, nada de maus vícios, mas praticamente hibernei.    
Assim vivi uns anos.
A saúde degradou-se. Nada de ir ao médico...
Não tinha nenhum cuidado com a alimentação e abusava de coisas doces.
O meu peso aumentou exponencialmente (ultrapassei largamente os 120Kg). Perdi mobilidade, agilidade e vontade de fazer qualquer esforço.
Esta situação prolongou-se no tempo. Com o desaparecimento de alguns amigos, aumentou a minha queda.
Em Janeiro de 2013, inesperadamente, faleceu o António (Tone), irmão da princesa Isabel. O Tone assentara e estabilizara finalmente a vida com uma companheira espectacular. Acabava de ser pai de trigémeos. Sentia-se repleto de energia e de saúde. Era uma pessoa cheia de ideias e projectos. Na noite de 12 de Janeiro de 2013 sentiu-se mal, conduziu o seu carro até ao serviço de urgência do hospital e, infelizmente, faleceu poucas horas depois… foi o coração que o traiu – o mesmo problema que levou o seu pai e o seu irmão Joaquim.
Infelizmente eu não pude ir ao seu funeral.
Além de perder um amigo, cortava-se aqui a única ligação que eu tinha ao mundo da “minha eterna princesa”.
Juntando tudo isto, mudei o meu comportamento típico – em lugar de lutar, protestar, reivindicar, exigir e discutir, passei a calar-me, “amuar” e passar longos períodos sem falar, de preferência sozinho.
A minha espiral regressiva bateu no fundo no início de 2015…

…/…

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Este pobre e estúpido blog chegou ao fim!
Mesmo assim, fico-lhe muito grato pela atenção.
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