segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Nem sempre é fácil...

As coisas nem sempre são o que parecem, nem sequer como nós as pintamos.

É impossível retirar da nossa vida uma pessoa em quem se está constantemente a pensar.

Na sequência da minha história de vida, eis-me chegado a um ponto em que eu procurava, avidamente, a “eterna princesa Isabel”. Não a procurava fisicamente, mas sim virtualmente. Pesquisava, revolvia, esquadrinha toda a Internet, usando todos os “motores de busca”.

Gostava de vê-la agora e tentar perceber por que razão eu nunca consegui aproximar-me dela. Queria poder ver nela uma pessoa do meu mundo, uma mulher igual às demais (com qualidades e imperfeições, porque eu sempre a vi apenas com excepcionais virtudes, perfeita e inigualável). Pretendia, também, comparar-me com o seu marido – no fundo seria fazer este exercício: como é que eu teria de ser para merecer a Isabel.

Porém, tudo isto assentava numa proposição inabalável: nada fará mudar o nosso normal curso de vida.  

Submergido em tal “congeminência”, apesar da tranquilidade e serenidade de ânimo, é natural que essa extraordinária figura se reeditasse nos meus sonhos, com muita frequência, com uma intensidade e em situações de um realismo assustador.

Em boa verdade, não seria um sonho que me atrapalhava. Era a sua repetição, numa sucessiva iteração de situações, em noites contíguas ou pouco distantes, criando uma sequência lógica.

Não sei interpretar os sonhos, nem tenho interesse nesse assunto. Contudo, fico com a sensação de que tais sonhos foram mitigando e substituindo, de forma inconsciente, a penosa dureza da realidade. Se estamos condenados a palmilhar, penosamente, um caminho áspero, severo e pedregoso chamado destino, tal facto não impede que a nossa mente projecte uma utopia quimérica, um ideal fantástico de vida num mundo tão inatingível como deleitoso e ambicionado.  

Em algumas ocasiões, felizmente raras vezes, os meus sonhos tornavam-se aterradores pesadelos. Sempre que neles via desenhar-se alguma situação que resultasse em sofrimento para a Isabel, era eu quem caía num tormentoso e atroz estado de angústia e desespero.

Nessas noites mal dormidas, cheguei a ter muita dificuldade em separar o sonho (involuntário) da minha imaginação voluntária.

Percebi, então, que a minha capacidade de resiliência era finita e mais débil do que eu imaginava. 

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