quinta-feira, 27 de abril de 2017

Por que razão estou a narrar esta história de vida, neste momento e neste blogue?...


 Continuando…

Estou certo que tudo o que eu aqui digo será considerado absurdo pelo comum dos mortais. Porém, não será esse o motivo que me leva a desistir de redigir esta minha história. Sou como sou, mas não vou mudar - já é demasiado tarde para isso…

Desde o momento em que encontrei essa “minha diva” desconhecida, mas electrizante, numa longínqua tarde de 1981, passei a ter uma estranha relação de proximidade com ela, que nada tem de físico – eu vejo-a nos meus sonhos, com muita frequência, com tal intensidade e em situações tão dinâmicas que parecem de uma realidade assustadora.
Sempre assim foi, ao longo de todos estes anos, com maior ou menos vigor.

Foram dois os motivos que me levaram a iniciar este relato da minha história de vida.

Primeiro: porque, esses sonhos (ora sonhos, ora pesadelos) repetem-se, por vezes em dias sucessivos, como se de uma novela se tratasse.

Nos finais do ano passado (finais de Novembro ou início de Dezembro de 2016), durante umas três ou quatro noites seguidas, sonhei com a Isabel. Via-a numa situação aflitiva. Não conseguia perceber porquê, mas ela estava em sofrimento, zangada, angustiada, triste, receosa ou desiludida. Era como se necessitasse de ajuda … via lágrimas nos seus olhos, embora ela tentasse escondê-las.

No fundo, quem ficava pesaroso era eu.

Fiquei muito aliviado quando, uns dias depois, passei pela sua rua e vi que na sua casa estava alguém. Havia luzes acesas e uma árvore de Natal iluminada.

Apesar de por aí ter passado muitas outras vezes e de perceber que casa estava habitada, nunca vi ninguém. Mesmo assim, fiquei com a certeza de que, mais uma vez, estava apenas a delirar.
Até porque, nos meus sonhos, eu via-a na Suíça, numa aldeia, onde havia uma zona plana bastante extensa – era um vale, embora ladeado por uma colina, junto às casas. Ainda que eu não conheça a Suíça, julgo ser um país muito mais montanhoso e creio que a Isabel vive numa zona urbana.

Contudo, nos finais de Janeiro a situação repetiu-se. Foram pesadelos sucessivos durante quase uma semana. Apesar de triste, agora ela fingia, tentando enganar-se a si própria. Era como se necessitasse de ajuda… claro que eu seria a última criatura do universo de quem ela aceitaria ajuda – aliás, ela nem sequer se recorda de mim. Para ela, eu não existo!

Claro que os meus sonhos não são para levar a sério. Até porque, às vezes, eu vejo-a zangada e tão má que eu não posso acreditar que ela seja assim.

O segundo motivo: Eu necessito acabar com esta situação. Eu quero viver em paz. Eu preciso, urgentemente, de esquecer tudo isto, definitivamente.

Creio que a melhor forma de acabar com esta história secreta é fazer dela algo de banal, expondo-a publicamente, de maneira a tornar-me ridículo. Partilhá-la será como fragmentá-la em imensos bocadinhos.

Eu imaginava que se ela deixasse de ser secreta (só minha) perderia intensidade e, quiçá, eu começasse a esquecer e a viver em paz.

Porém, esta estratégia já não está a resultar. Na verdade, inicialmente fiquei convencido que eu estava no caminho certo. Mas, um pequeno (ou melhor, muito grande) “incidente”, deitou tudo por terra…

Eu necessito esquecer definitivamente esta história e acabar, de uma vez por todas, com esta situação.

Talvez necessite de ajuda. Imagino o que diria um psicólogo (preferia uma psicóloga) se eu resolvesse consultá-lo com uma história destas.
Por certo desconfiaria que eu sou um alcoólico inveterado…

Há uma terceira razão para a existência desta narrativa. Fruto de alguns problemas de saúde (que, felizmente, estão controlados), eu passei a ver o mundo com outros olhos. Mudei quase todos os meus conceitos.
Só se vive uma vez. Eu, porém, desperdicei ou aproveitei muito mal essa única oportunidade de viver feliz.

Bem!

Lá diz o povo: ”para grandes males, grandes remédios”. Ora, assim sendo, tomei a decisão que pode ser perigosa – brevemente vou fazer algo que não devia. Talvez vá fazer a pior “burrada” (e/ou borrada) da minha vida. Quiçá, inclusive, tenha consequências muito graves, para mim.

Depois contarei o que fiz.

Antes disso, vou iniciar outro blogue e compilar, aí, esta história. Depois, no mês Junho, encerrarei, definitivamente, todos os meus blogues. Acabarão as minhas aventuras na blogosfera. Será o meu adeus ao ciberespaço! 


…/…

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Como ultrapassei e lidei com este assunto ao longo da vida…

… Continuando…

Embora sinta muita necessidade de escrever este relato de vida e tenha tanto para dizer, há razões que me exigem contenção.

Antes de desistir, quero aqui descrever duas coisas distintas. Primeiro, como esta história de vida foi por mim ultrapassada ao longo do tempo; a segunda, qual o motivo de eu ter iniciado este relato neste blogue e neste momento.

Fiquemos pela primeira questão: como lidei com este assunto ao longo dos tempos.

Poucas pessoas acreditarão na minha história de vida, embora ela seja absolutamente real.
Sei que é difícil acreditar a minha verdadeira adoração por uma pessoa que nunca sentiu nada por mim, para quem eu nem existo, com quem estive apenas umas horas, num longínquo dia de 1981 e, partir daí, praticamente nunca mais vi.

Sei que parece uma estupidez (ou até um problema de saúde mental), mas a verdade é que que esta pessoa alterou tudo na minha vida, delineou o meu futuro, a sua imagem esteve sempre presente nos momentos difíceis, pesou nas minhas decisões ao longo da vida, e que ainda hoje continua a ser a pessoa mais especial do mundo, sendo certo que já não a vejo nem sei noticias dela à mais de 30 anos.

Em 1991, decidi escrever toda a história até essa data. Eram quase duzentas páginas que destrui uns anos depois.

Com a generalização da internet, em 2001 criei uma “página pessoal” no antigo “terravista”, onde contava a história de “um aventureiro na terra de Princesa Isabel”. O  “terravista” terminou, salvo erro, em 2004.

Em 2011 criei o primeiro blogue dedicado este assunto. Porém, a intrusão de pessoas próximas e o facto de eu ter um perfil absolutamente real e identificado, determinaram o fim desse blogue.
Seguiram-se mais algumas tentativas falhadas.

Em 2014, decidi terminar todas as minhas entradas no ciberespaço e no mundo das telecomunicações. Acabei com telemóveis, blogues, redes sociais, etc.

Pouco tempo depois criei este blogue. No princípio não foi fácil. Assim, enveredei por outros assuntos. Contudo, pelas razões que contarei no próximo post, decidi avançar.

Ao longo da vida, lidar com este assunto, foi muito difícil.

Momentos houve, ao logo da vida, em que estive a uma curta distância de desistir de viver. Desisti de quase tudo que tinha planeado para o meu futuro. Acabei por ser aquilo que nunca esperei ser, quer em termos profissionais, quer em termos socioculturais e mesmo em termos pessoais.

A proximidade a tudo o que lembrasse ou se relacionasse com a “minha princesa” era muito mais importante do que qualquer triunfo, qualquer benefício ou sucesso.

Fui lutando por ultrapassar, porque nunca fui capaz de esquecer.

Sozinho, desolado, reprimido, em silêncio, fui aprendendo técnicas de sobrevivência…

[E hoje já não me apetece escrever mais… já falei de mais...]

…/…



domingo, 23 de abril de 2017

Acho que devo calar-me...

…Continuando…

Dizia eu que, numa tarde de Julho de 1983, um dia de tradicional festividade numa aldeia vizinha, acompanhei a casa uma miúda que era vizinha da “princesa Isabel”. 


Na verdade, era um grupinho de raparigas, mais ou menos da minha idade, bastante efusivas e cuja alegria contagiava. 

No domingo seguinte voltei ao encontro do mesmo grupinho de miúdas. Comecei a aproximar-me de uma delas, de forma mais particular. Ela, incrivelmente, foi-me dando atenção e… ali ancorei.

Embora com alguns interregnos, alguns períodos de incertezas e em que a ruptura esteve eminente, com algumas aventuras a que chamaria mais de “desventuras”, essa mulher foi (é) o meu grande porto de abrigo, até hoje. 
Brindou-me a vida com uma mulher fantástica a todos os níveis, esposa excelente, um companheira irrepreensível, uma mãe extremosa… enfim, tudo o eu não esperava da vida e, quiçá, nem merecesse.

Vou, nesta narrativa, omitir o nome dessa magnifica mulher que é minha consorte, por uma questão de respeito.

Sempre fui fiel a essa consorte dedicada e extraordinária. Contudo, NUNCA consegui esquecer a minha “diva” – a “princesa Isabel”.

A minha consorte foi sempre vizinha e foi amiga da “princesa” desde muito tenra infância. Curiosamente o aniversário da minha consorte coincide com uma data importante narrada nesta história.  

Acho que devia calar-me neste ponto da minha história de vida.

Não sei explicar que estranha condição, que energia desconhecida, que força imperceptível me prende àquela “diva”, mantém tão viva a sua imagem e a sua presença em mim, sendo ela, definitiva e irreversivelmente “a princesa impossível”.

Que mágica força é esta que me impele e incita a escrever tudo isto?

Não sei quem é mais forte: será a necessidade de escrever ou a obrigação de me calar?

…/…

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Decepcionado, mas a minha Princesa continuou a reinar no meu universo...

 Continuando…

Contei, no “post” anterior, como e porquê decidi arranjar uma namorada.

Apesar de todas as desilusões, a “minha princesa Isabelcontinuou no centro do meu universo.  

A Lurdes era mais velha do que eu, parecia a mais recatada e inocente criatura, mas de inocente, acanhada e modesta tinha muito pouco. No português da juventude de hoje, eu diria que ela era “uma miúda bué fixe”. Era uma excelente pessoa, uma namorada óptima, uma rapariga sem defeitos a apontar. Eu é que, de pensamento fixo na Isabel, não me podia classificar como um bom e leal namorado,

Confesso aqui uma fraqueza minha: as pessoas de olhos azuis ou muito claros, assustam-me, inspiram-me receio e, simultaneamente, muito respeito (é mais uma das minhas taras, mas confesso que chego a arrepiar-me quando uma pessoa com essas características me olha fixamente).
A Lurdes tinha uns olhos muito claros, que eu até achava engraçados, mas tinha muita dificuldade em fixá-la de frente, nos seus olhos.

O nosso namoro durou cerca de um ano – até meados de 1983.

[Eu uso a palavra “namoro” porque, confesso, detesto a palavra “relação”. Para mim, um ”relacionamento” é algo de protocolar, institucional e frio. Eu tenho uma “relação” laboral com a instituição a quem vendo a minha força de trabalho, tenho relação hierárquica com os meus superiores e subordinados (relação de autoridade), tenho relações de parentesco com a minha família alargada, mas não quero ter uma ”relação” com a minha consorte – eu quero viver com ela uma situação de conivência, de cumplicidade, de partilha total, de simbiose, de tal forma que tenha dificuldade em separar o “eu” do “ela”.]   

Em meados de 1983, quando a Lurdes (e a família dela) entendeu que o nosso namoro deveria passar a uma fase “mais séria” e a um compromisso mais sublinhado, vi-me forçado a ser abertamente sincero no que respeitava às minhas intenções… e terminamos.

Ficou-me uma grande simpatia pela Lurdes. Desejo, do fundo do coração, que ela seja uma pessoa muito feliz.

E a vida prosseguiu…

Eu continuei a procurar, em vão, ver a minha “princesa Isabel”.
Tudo o que lhe dissesse respeito, tudo aquilo que a ela estivesse ligado ou que me fizesse recordá-la, era de importância extrema para mim. E continuou sendo, pela vida fora.

Em Julho de 1983, no final de uma festa, acompanhei a casa uma vizinha e amiga da “princesa”.  


…/…

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Uma noite de pesadelo, uma semana negra e tudo a mudar…

[Nos próximos dias, por afazeres profissionais, terei de ser muito breve mas minhas postagens.
Assim, abreviarei a narrativa da minha história (real) de vida, sem, contudo faltar à verdade dos factos.

Ninguém consegue imaginar e avaliar quanto esta narrativa me faz bem, já que me falta alguém com quem desabafar.

Há uns tempos coloquei um anúncio num site, procurando uma amiga que quisesse ser minha confidente. Meu Deus, que mundo perverso! Recebi todo o tipo de comentários e proposta, cada uma mais indecente, maldosa e estúpida do que a outra. Ninguém percebe que há gente, séria e honesta, que apenas quer conversar civilizadamente? Será que as pessoas perderam a noção do ridículo e já nem sabem o que é conversar?]



… Continuando…

Narrava, na postagem anterior, o final desse que foi o dia mais triste da minha rude existência.

Como dizia, chegado a casa, fechei-me no quarto, janelas cerradas e luz apagada, mergulhado numa escuridão que não era mais negra do que a tristeza que me feria o coração.

Felizmente ninguém me incomodou até à hora do jantar.

Nessa noite não consegui comer nada.
Queixei-me de dores de cabeça e de estômago. Eu sabia que essa desculpa resultava sempre. Dessa vez não foi excepção. Recebi apenas a reprimenda: «Claro… passaste a tarde sem comer e a beber coca-cola e outras porcarias!...»

Fiquei aliviado.
Ninguém suspeitava a origem do problema que fez desabar o mundo sobre mim.
Passei uma noite horrível. 

Não conseguia dormir nem retirar a Isabel do meu pensamento.

Um angustiante sentimento de perda feria-me sem piedade. Para mim era o fim inesperado de um sonho. Era perder a esperança de alcançar o que eu mais desejava neste mundo.

Nessa noite, a vida deixou de fazer sentido e o mundo não continha nada que me cativasse. Cheguei a pedir a Deus que eu adormecesse e não voltasse a acordar. Que morresse em paz, durante o sono.

Adormeci na madrugada.
Ainda acordei duas ou três vezes, com horríveis pesadelos.
 Recordo-me de estar a sonhar que estava a chegar a casa da Isabel e abriu-se um fosso no caminho. Do outro lado estava ela a desequilibra-se e eu tentava, a todo o custo, saltar para o lado dela, mas não conseguia desprender-me do chão.
Que horrorosa sensação!!!

Assim fui passando a noite.
A semana seguinte foi uma semana de trevas.

Sempre que podia, isolava-me e ficava a ruminar a minha tristeza, imóvel e em silêncio.

No domingo seguinte, ao início da tarde, muito fragilizado e pesaroso, voltei percorrer sozinho todo o trajecto até à morada da “minha princesa de sonho”.
Não parei. Circulei toda a volta do quintal e regressei de seguida.
Não a vi, não senti ninguém em casa.

Pelo caminho fui tomando algumas decisões.

Resolvei romper com quase tudo que até aí fazia: não voltar a frequentar a minha paróquia, romper com as amizades da minha terra, arranjar amigos novos, frequentar a terra da “princesa Isabel”, fazer amizade com quem lhe fosse próximo… enfim, uma infinidade de mudanças, na certeza de que, para ela, eu não representava nada, mas ela,  para mim, era e seria para sempre, a pessoa “mais especial do mundo”.

E assim foi…

Desde esse dia, apenas a vi mais duas ou três vezes, mas nunca mais deixei de frequentar a sua terra, de me aproximar dos que lhe eram próximos e de, sempre que fosse possível, passar pela sua casa (estupidamente e de forma quase inconsciente, ainda faço isso).

Como a minha “romaria” de simples passagem pela sua casa (e regresso sem paragem) se tornava um ritual patético, sobretudo para as pessoas que me viam passar, decidi arranjar uma desculpa – necessitava ter uma namorada que morasse perto e me permitisse justificar a passagem pela casa da “maravilhosa diva Isabel”.

Foi assim, de pensamento fixo e fielmente inabalável na “princesa Isabel”, que conheci e conquistei uma miúda, mais velha do que eu, tão paciente como experiente, chamada Lurdes, com quem namorei até meados de 1983.


.../...

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Decisões da tarde mais negra de toda a minha vida...


[Iniciei, em 16 de Fevereiro, a narração de uma parte secreta e dolorosa da minha história de vida. É um relato, tão fiel quanto possível, de factos que ocorrerem de verdade, envolvendo pessoas reais.
Faço-o porque sinto necessidade de desabafar e tentar diluir sentimentos que me perseguem e comprimem. Ou há pessoas que não conseguem perceber esta situação, ou então eu sou completamente anormal. 
Entre alguns comentários de grande compreensão, simpatia e apoio, há um ou outro, menos afável e mais cáustico, que me deixam com este pensamento e com esta certeza:
“Eu sou demente. No mínimo, tenho algum problema mental”.]

 Continuando…

Rematei o Post anterior com a minha chegada a um local, mais ou menos ermo, situado num trajecto alternativo entre a minha casa e a casa da Isabel, por donde às vezes passava, onde me detive nesse dia e muitas outras vezes parei, infelizmente.

Afortunadamente, as pedras e as árvores não sabem falar. Se assim não fosse, eu não teria resistido às suas confissões – se elas contassem o que sabem, eu já teria acabado com a minha vida, juro.

Quedei-me, então, nesse lugar inóspito e solitário, desalentado e vencido pelo sofrimento. Aí lavei, com lágrimas incontroláveis e abundantes, toda a mágoa que me queimava o peito.  

Eu não estava revoltado, não sentia raiva nem culpava a minha “tão adorada princesa”. Estava desiludido comigo mesmo. Sentia-me o mais inútil e desprezável ser do universo. Era eu que não servia para nada, que não tinha capacidade e valor para merecer a distinção de ser namorado daquela maravilhosa mulher. Feria-me, dolorosa e atrozmente, saber que era inferior a todos os meus amigos, tão indigno e rude que não tinha direito a partilhar a companhia da mulher que eu adorava, a quem queria entregar todo o meu amor, partilhar tudo, fazer tudo o que fosse necessário para a ver feliz. Eu deixaria tudo por ela, mas, infelizmente, era demasiado insignificante para que ela aceitasse algo de mim.

Martirizado por este horrendo sentimento, de respiração incerta e lavado em lágrimas, ali me conservei quase toda a tarde, ora numa posição que lembrava “o Pensador” de Rodin, ora uma “Pietã” sem Cristo Morto nos braços, mas largando pungentes lamúrias: «Porquê!...» e «Não!... Não!... Não!...»

Meu Deus, como eu necessitava de um ombro amigo, de uma palavra de ânimo, de alguém com quem dividir este suplício!

Nunca me esquecerei desse momento, cuja ferida, verdadeiramente, nunca sarou e continuou doendo pela vida fora.
   
Nessa tarde, a mais negra da minha vida, tive de me conformar com a pior de todas as realidades – “se não há nada a fazer, resta aceitar”.

Ali mesmo, numa solidão quase macabra, tentei raciocinar de forma lógica e tomei algumas decisões que mudaram toda a minha vida.

Decidi abandonar todas as expressões artísticas em que participava. Teatro, música, etc., a partir daquele momento não me voltariam a ver lá (e assim fui).

Ali mesmo, e partir desse momento, mudei alguns dos meus conceitos e defini “estratégias para o meu futuro” .

Por exemplo:

Doravante, nas batalhas pessoais que tiver que travar, sobreviver será muito mais importante do que vencer. Pois, se eu não sobreviver para que me serve a vitória?

O amor que sinto será indestrutível e incondicional. Posso não ser digno da mulher que amo, mas nada nem ninguém me pode obrigar a destruir esse amor.

Se ela não me quer para nada, tenho de aceitar, mas tentarei estar o mais próximo dela que eu puder.

Se ela não me quer, não vou insistir mais. Pelo que sinto por ela, se alguém tem de ser infeliz, que seja eu.

Nesse dia percebi por que razão algumas pessoas se refugiam no álcool para esquecer situações destas.

Com um sentimento de quem perdeu tudo na vida, regressei a casa e fechei-me no meu quarto.

.../...


terça-feira, 18 de abril de 2017

O dia mais triste, negro e tenebroso da minha vida...

Continuando…

[Se alguém chegar, por mero acaso, a este Post e, eventualmente, tiver a benignidade de ler estas mal redigidas linhas, quero que saiba que eu descrevo aqui um parte da minha história real (secreta e pouco feliz) de vida – o que se segue é a mais pura e cristalina verdade.]

Como eu dizia, a gentileza extrema e um comportamento da mais esmerada polidez, observando escrupulosamente todas as regras de etiqueta e boas maneiras, chamaram a atenção.

Os adultos são terríveis!... Não demorou que se aprestassem a dizer: «esse ar de felicidade tem nome de rapariga!...»

Evidentemente que eu neguei. Fui tão peremptório a negar como a questionar: «não é verdade, mas se fosse… haveria algum mal nisso?»

Ainda bem que eu decidi esconder tudo o que se tinha passado.

Passei a semana entregue a compromissos que já estavam agendados havia algum tempo. Sempre com o mesmo comportamento de “bom samaritano”. No fundo, entendia eu, era a melhor forma de partilhar a minha alegria e, simultaneamente, agradecer a Deus a dádiva com que me havia agraciado – o excelso privilégio de ter privado e acompanhado a mulher mais perfeita e maravilhosa do mundo.

Os dias sucederam-se com uma colossal saudade e uma necessidade desmedida de vê-la. Tão penosa era a sua ausência que me obrigava, amiúde, a deixar escapar um suspiro – um longo e profundo “aiiiiiiiii!”.

À noite, no recato solitário do meu quarto, aquele “ai” fazia-se acompanhar de uma ou outra lágrima teimosa. Sentia-me como se me tivessem afastado de toda a minha família e me colocassem no estrangeiro, entre gente desconhecida e em lugar estranho.

Assim passei uma interminável semana.

Chegou, por fim, o tão desejado Domingo.
Amanheceu um dia tristonho, de céu encoberto e temperatura muito moderada. Pelo meio-dia o sol apareceu.

Nesse tempo, era da praxe os namorados encontrarem-se apenas da parte da tarde.

Eu, aspirante a namorado da mais encantadora e maravilhosa rapariga que alguma vez os meus olhos viram, cumpri, escrupulosamente, todas as regras de etiqueta e protocolo.

Avisei o meu grupinho que tinha compromisso e parti, sozinho, ansioso, muito inseguro e apreensivo, até aquele pedacinho de paraíso, onde morava a minha “mais que tudo”.
Aí chegado, fez-se noite no meu coração.

Mais uma vez, vi a casa dela mergulhada num silêncio gélido e algoz. Uma tenebrosa tempestade assolou-me o coração.

Fiquei ali, junto ao pequeno portão, esperando, pálido e estático por fora, mas inconsolável por dentro, com o mundo a desabar no peito, uma aperto terrível a sufocar garganta e uma tristeza que não é possível quantificar-se nem expressar-se por palavras (mas que tenho bem presente e cujas ondas de choque se propagaram pela vida fora).


Assim, nesse estado de torturante agonia, permaneci cerca de meia hora. Ao fim desse tempo, e antes que as pernas fraquejassem e deixassem de conseguir suportar o peso da angústia ou eu desfalecesse, regressei a casa.

Foi o momento de maior angústia e sofrimento de toda a minha vida, ao qual apenas posso comparar o falecimento do meu pai.

Não sei bem como conquistei forças para caminhar. Sei que não conseguia articular um só som, o meu corpo tremia descontroladamente, sentia uma pressão lancinante sobre o peito que me obrigava a “fungar” de forma involuntária. Com os olhos rasos de água, fui caminhado, como se fosse um condenado em direcção ao cadafalso.

Imagino a triste figura que eu fazia perante as pessoas com que me cruzei.  

A custo, nesse lastimoso estado, cheguei a um lugar mais ou menos ermo, onde me sentei…

[Não espero que alguém imagine (e acredite) quanto isto ainda me dói hoje, tantos anos depois...]


…/…

segunda-feira, 17 de abril de 2017

(Voltando à minha história de vida) - Após um dia de sonho… veio uma noite insónia.


Hoje, segunda-feira, foi dia de Páscoa (quem não vive em Portugal, talvez não entenda esta questão de Páscoa à segunda-feira) na terra e no lugar onde morava a celestial pessoa que, sem saber e sem nada ter feito, modelou a minha vida. Passei por lá, a pé. É difícil descrever o que sinto quando aí passo a pé, mesmo tanto anos depois dos factos que aqui estou a descrever.– sobre isso falarei noutra ocasião.

A casa pertence-lhe, embora ela e a sua família estejam emigrados, algures na Suíça. O meu desejo sincero e sentido é que toda a sua família tenha passado uma Páscoa super-feliz.


… Continuando…

Retomo a minha narrativa naquele dia de sonho em que tive a excepcional dádiva de Deus de ter acompanhado a Isabel até à sua casa.
Estava eu  já na Terra (depois de, horas antes, ter aportado no paraíso), ou seja, no retiro silencioso do meu quarto.

Escrevi umas quatro ou cinco folhas do meu diário (e a minha caligrafia sempre foi marcada por grafar letras de reduzida dimensão).

Apesar de muito inseguro, eu era, nesse momento, uma pessoa radiante de alegria, o homem mais feliz de Portugal.

Infelizmente (ou felizmente, não sei, mas tive razões para o fazer) queimei o meu diário, há poucos anos. Restou muito pouco da fonte de informação mais rigorosa que poderia existir, sobre todos os factos da minha história de vida.

Mesmo assim, lembro-me de quase tudo o que lá estava escrito e, de forma particular, sobre este assunto. Reli, vezes sem fim, ao longo da vida, aquilo que nesse dia escrevi. Sei que agradecia a Deus a excepcional dádiva que foi a fortuna de ter acompanhado a mulher mais deslumbrante que o Universo albergava. Nenhum tesouro do mundo se equiparava a ela.

Sei, também, que antecipava já aquilo que eu mais temia – a Isabel não me queria para nada.
Mas, nesse dia, melhor dito, nessa noite, eu era um felizardo, sentia-me rei por um dia, partilhei o paraíso de uma deusa por algumas horas.

Não consegui dormir a noite toda. Se fechava os olhos via-a; se abria os olhos sentia a sua voz a encantar os meus ouvidos; se tentava dormir, a sua imagem acordava-me com a intensidade de um raio.

Eu provava a sua energia, a delícia suprema de sentir a sua mão na minha mão, seu perfume irrompia pelas minhas narinas e saciava deleitosamente o meu peito, a emoção de a ter junto a mim provocava-me uma sensação de prazer indescritível que me percorria todo o corpo, deixando-me arrepiado (com pele-de-galinha) de deleite.

Foi um dia de sensações, emoções e sentimentos que nunca mais se repetiram na minha vida, nem os meus sentidos conseguiram apreender, mesmo nos momentos mais emotivos ou sensuais da toda a minha existência.

Levantei-me, no dia seguinte, com uma sensação de ressaca (imagino que assim seja uma ressaca, pois nunca consumi álcool ou outro tipo de drogas ou dopantes).

No dia seguinte, levantei-me cedo para satisfazer compromissos familiares. Apesar do meu estado lastimoso, eu era a pessoa mais feliz das redondezas. Tornei-me o mais gentil, mais afável e prestimoso de todos membros da minha família.

Não tardou que alguém estranhasse…


…/…

domingo, 16 de abril de 2017

[Intervalo] - Páscoa Feliz para todos…


E, para os crentes Cristãos, como eu…


Ego volo tibi dicere:  

"Iesum Christum, Filium Dei et Dominum Nostrum, crucifixus etiam pro nobis, sub Pontio Pilato, passus et sepultus est."*


Sed...


"Resurrexit tertia die…"*


Et, hodie, cum magnum gaudium nos hoc misterium celebramus!

Exsultate!



Alleluia!



Que Jesus ressuscitado ilumine e ajude todas as pessoas do mundo e, de forma particular, "ela" e família. 



* do Credo


sexta-feira, 14 de abril de 2017

O dia mais feliz da minha (II) - O trajecto até à casa dela...

… Continuando …

Retomo a minha narrativa exactamente no ponto onde a havia interrompido - a saída da mercearia/café e posto de correios do Sr. Serafim.

Aqui iniciei, com a Isabel, a mais feliz caminhada da minha vida, aquela em que tive a melhor companheira de jornada e todos os tempos.

Meu Deus!... Trocava todos os bens que possuo pela possibilidade de retornar a esse momento e repetir essa jornada.

Tão feliz quanto nervoso, tão inseguro como maravilhado, percorremos esse trajecto de mais de 1 Km num lapso de tempo que, embora eu não consiga estimar, me pareceu o mais curto de sempre.

Talvez seja difícil de entender, mas o meu estado era tal que eu bloqueei. Não recordo nada do que se passou nesse trajecto, até à casa dela. Por certo, não se passou nada de especial, mas eu não sou capaz de recordar nada. A memória desse dia não se apagou com o tempo – no mesmo dia, depois de regressar a casa, eu já não conseguia recordar-me de nada.

Eu sei que estou a abusar, mas a imagem que hoje aqui publico é uma foto real, tirada no início deste ano, do final do trajecto mais feliz  de toda a minha vida, que percorrei com a mais divinal de todas as “Divas” que o universo alguma vez albergou.

Não há muitas diferenças em relação à paisagem daquele tempo, mas hoje toda esta área é, praticamente, um deserto humano – não vive aqui quase ninguém.
Subindo esta pequenina ladeira, por este estreito carreiro, que flanqueia, por um dos lados, o quintal dela, o meu passeio de sonho terminou uns 20 metros mais adiante, no pequeno portão que servia de entrada secundária da casa dela.
Se não me recordo do que aconteceu no decorrer do trajecto calcorreado, o mesmo não acontece do ponto de chegada. Recordo-me, com o mínimo pormenor, de tudo o que se passou do final desse dia de sonho.
Chegados ao portão da casa dela, estávamos de mão-dada, e eu tentei ganhar coragem para lhe dizer que ela era a pessoa que eu mais adorava no mundo e que me sentia super feliz por estar com ela.

Como eu tremia, meu Deus! O meu coração bombeava o sangue com tanta força que eu sentia uma pressão anormal nos ouvidos, nos olhos um estranho latejar e a respiração era difícil de controlar. 

Não sei se ela percebeu o meu estado. Quiçá tenha pensado que eu tinha algum problema de saúde…
Enquanto eu tentava arranjar alguma palavra que iniciasse uma frase com sentido, ela largou a minha mão. 

Ainda tentei segurá-la enquanto dizia: «Isabel, espera só um pouquinho…»
Foi inútil.
 Ela fez questão de entrar no seu quintal, enquanto dizia: «Tenho mesmo de ir…»
Acho que fiquei petrificado. Não sei avaliar o que senti, nem a minha reacção.
Sei que ainda lhe disse: «Isabel… posso voltar aqui Domingo, para estar contigo?...»

Ela não me respondeu.

Fiquei ali, preso ao chão a vê-la desaparecer. Depois parti de regresso a casa.

Eu não via nada à minha frente. Se, por um lado, me sentia o maior sortudo do mundo, por ter passado este tempo com a mulher mais excepcional do universo; por outro lado, entendi como uma rejeição irreversível a forma como ela me “largou”, à porta de sua casa.


Independentemente de tudo, eu sentia-me nas nuvens, muito perto do paraíso, a explodir de felicidade.

Tal era o meu estado, que regressei a casa sem a minha moto (eu ia de moto até à paragem e depois seguia de autocarro, precisamente para tentar ver a minha celestial Diva – deixava a minha motinha, uma ILO de 3 velocidades, no parque da casa do Sr. Monteiro).

Foi o meu pai (que Deus tenha junto a Si) que me pergunto: «roubaram-te a mota?»

A minha resposta: «Vim com uma colega… e depois ela pediu-me para eu dar um recado ao Paulo… entretanto fui procurar o Paulo e esqueci-me…»

Apesar da insistência do meu pai, eu não fui buscar a moto. Fui pedir ao Paulo que a trouxesse no dia seguinte, e que ele confirma-se a minha história do “recado”.

Regressei rápido a casa, fechei-me no quarto, peguei no meu diário para uma longa narrativa.

(A imagem publicada é uma foto real, embora distorcida, pelo que posso ver-me obrigado a retirá-la)

…/…



quinta-feira, 13 de abril de 2017

A propósito de um comentário - pausa para um esclarecimento...

Farei aqui um aparte na narrativa daquele dia especial que eu vivi com a Isabel. A narrativa continuará na próxima postagem.

Recebi um comentário, de um comentador Anónimo, na Postagem «"Querida Isabel" - a primeira carta que lhe escrevi...», que não posso deixar sem uma breve resposta.

Comentário de um leitor “anónimo”:
Está a brincar, sente-se...
Tenho pena do objecto dessa troça, acredite.
Por vezes a crueldade está na forma de julgar os outros quando julgamos ser-lhes superiores no sentir e no pensar. Sinto-a em si e no que escreve e, sinceramente, dói-me, talvez por, obscuramente, me sentir atingido enquanto um vulgar ser humano que cedo aprendeu a respeitar um outro ser, humano ou não humano. Todos nós somos tão frágeis, afinal...

A minha resposta:

Caríssimo(a) comentador(a):

Embora agradecido pelo facto de ter comentado neste insignificante blogue, não imagina a tristeza que o seu comentário me veio trazer.

Juro-lhe, pelo que tenho de mais importante neste mundo, que tudo o que aqui estou a narrar é a mais pura verdade.

Não, não estou "a brincar", infelizmente. Peço a Deus (porque sou crente) que você não passe, nunca, por uma situação destas.

Do seu comentário, o que me deixa mais desgostoso é o facto de alguém imaginar que eu poderia “brincar”, usar de “crueldade” ou desrespeitar a pessoa mais marcante da minha existência.
Acredite que, “crueldade” é a mágoa que se gera em mim e me fere o coração, por sentir que há pessoas que têm tão vil imagem de mim.

Já não me doem as injustiças (já passei por tantas que acabei por ficar imune). Fere-me a certeza de que sou incapaz de gerar nos demais algum respeito e um mínimo de consideração que deve ser dispensada ao comum dos humanos.

Eu não quero compaixão de ninguém. Contudo, ficaria muito grato se me dispensassem metade do respeito que concedem aos animais de estimação. Não acho que esteja a pedir nada de mais.
Não, eu nunca me julguei "superior" a ninguém. Pelo contrário, sempre me achei insignificante, pequenino, inútil e indigno de tantas coisas (e situações) que desejei, com as quais tanto sonhei e não pude alcançar.

A Isabel é um exemplo. 
Essa mulher existe mesmo. É uma pessoa maravilhosa, que eu nunca consegui conquistar, a quem sempre reservei um espaço privilegiado no meu coração e cuja existência me vi compelido a manter em silêncio; que eu não vejo há muitos anos, vive na Suíça (não sei bem onde); de quem pouco sei e que, embora ela nem imagine (nem esteja interessada em saber), eu nunca a esquecerei.
Tudo o que eu disse (e tudo o que venha dizer), neste blogue, sobre ela, sobre os factos relatados, sobre a sua família e demais pessoas, é a mais pura verdade. Ressalvo, aqui e ali, algumas omissões para evitar a identificação fácil de pessoas e lugares.

De igual forma, não me sinto “superior no sentir e no pensar”. Entendo que cada um sente à sua maneira. Não me julgo afortunado com qualidades intelectuais superiores, sequer medianas. Tudo o que tenho conseguido na vida exigiu de mim grande esforço e muita de dedicação.

Sou uma pessoa muito simples, muito humilde, muito recatado, extremamente tímido e com verdadeira noção da minha pouquíssima importância e das minhas limitações.

Este blogue não é a primeira tentativa, no ciberespaço, de despejar o que me sufoca o peito, o que me persegue e atormenta, sobretudo aquilo que não posso nem tenho coragem de partilhar com ninguém, de outra forma.

Desafortunadamente, todas essas tentativas têm acabado mal…
Precisamente por isso e porque a minha missão não é ser apreciado ou tornar-me conhecido, sempre tive os comentários desabilitados.  

Se alguém duvidar de mim e estiver interessado em esclarecimentos adicionais, use, p.f., o meu e-mail.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O dia mais feliz da minha (I) - a única tarde que passei com ela...

… Continuando …

Ia eu a dizer que, nos finais de Setembro, aconteceu algo verdadeiramente inesperado e maravilhoso.
Num daqueles dias de feira em que a juventude de todo o concelho se encontrava, eu ganhei coragem suficiente para me aproximar da minha diva Isabel.

Eu sentia-me tão emocionado!… O coração acelerado, todo o corpo tremia, a boca ficou seca e as palavras saiam custosamente e a medo.

Fiquei deveras atrapalhado, a ponto de a minha memória fotográfica ter bloqueado - não consegui reter, quase nada desse dia de sonho. Aliás, no dia seguinte eu próprio duvidava se tudo isso teria sido real ou se foi apenas um sonho.

Viajamos juntinhos no autocarro até à freguesia dela.
 Aí, ela saiu numa paragem longe de casa, dizendo que tinha de ir à mercearia que, nessa época, funcionava também como posto de correios.
Eu acompanhei-a. Contudo não entrei na mercearia/café e posto de correios. Dois motivos me retiveram à espera da Isabel no exterior: por um lado temia que ela achasse inconveniente a minha companhia; por outro lado, não eu gostava muito das observações do proprietário da dita mercearia – o Sr. Serafim. Receei que ele fizesse alguma observação que pudesse afastar (de mim) a minha celestial companhia.

Esperei uns quinze minutos que, nesta circunstância, pareceram uma eternidade.
Tudo parecia um sonho, mas, enquanto esperava, fui descendo à Terra, lentamente. 
Então, assolou-me um sentimento de inferioridade e insegurança tão grande que, rapidamente, senti os olhos turbos e um aperto indescritível no coração. 

A questão que me apoquentava era esta: será que a Isabel saiu nesta paragem para não passar a vergonha de me ter como companhia na paragem onde costumava sair?

Fiquei desapontado, pesaroso e muito inseguro. Tudo isto piorou o meu debilitado e frágil estado, arruinando de vez a minha auto-estima. Ela era boa de mais para mim… eu não era digno dela.
Eis, enfim, que ela reaparece.

Iniciamos uma caminhada a dois até à casa dela. A única caminhada (com ela) a dois que o destino me reservou.

Entre a alegria de viver aquele sonho e o meu receio de acordar para a realidade, fomos caminhando…

…/…

Prosseguindo - escrevi-lhe...

… Continuando …

Prosseguindo na minha narrativa, eis-me chegado a um ponto onde decidi resumir e abreviar.
Não vou relatar a quantidade de vezes que procurei essa divinal princesa chamada Isabel. Por um lado, seria fastidioso na minha exposição; por outro, foram tantas vezes que seria quase impossível descrevê-las ainda que de uma forma sucinta.

Passavam os dias, sucediam-se as semanas e eu mal conseguia vê-la. Fiz da sua terra um lugar de peregrinação. A sua casa era um autêntico santuário, onde eu passava, com o espírito de um crente em busca do supremo bem.

Tornei-me, necessariamente, amigo de pessoas da sua terra. De forma discreta consegui saber, com um vizinho, o seu endereço postal.

Na posse de tão valiosa informação, escrevi-lhe. Dessas cartas não guardo nenhuma cópia ou rascunho. Há uns anos, num período em que me senti mais debilitado, queimei tudo o que guardava desta terrível história – as cartas, poemas que lhe escrevi, o meu diário… tudo foi reduzido a cinza. Esperava, com isso, enterrar esta história. Apesar do esforço e vontade, não resultou. A Isabel continuou presente na minha vida.

Neste momento da triste história, ela já sabia quem eu era e conhecia o meu incondicional sentimento por ela.

Confirmei, então, que eu nada significava para ela e que nunca conseguiria conquistar nela o mais leve sentimento. Na verdade, o meu amor era tão grande que compensava o seu desprezo. Além de incondicional, era ilimitado e inabalável.

Assim foi passando o tempo, com repetidas e constantes tentativas de aproximação àquela princesa celestial que adorava mais do que tudo. Por ela teria deixado tudo.

Da parte dela vi apenas indiferença, senão desprezo frio e real.

Um dia, porém, aconteceu algo verdadeiramente inesperado e maravilhoso.


…/…

segunda-feira, 10 de abril de 2017

A foto da minha celestial Diva...

Depois de uma pausa e antes de retomar o relato da minha singela história de vida, tenho que aqui registar um inacreditável evento. Trata-se de um acontecimento que trará alterações ao futuro deste blogue, modificará a minha vida e, sobretudo, transformará, radicalmente, esta narrativa. Relembro que decidi aqui expor uma parte escondida da minha história de vida e que, progressivamente, aqui tenho tentado percorrer e registar (ou, de forma mais simples, “tenho desabafado”!) factos autênticos, envolvendo pessoas verdadeiras e numa cronologia real.

Não tenho, ainda, coragem para descrever o feliz acontecimento que acima referi. Atrevo-me, contudo, a afirmar, com a mais plena certeza: «os milagres existem!»

O que se passou comigo (relacionado com esta minha história de vida) no dia 6 de Abril de 2017, pelas 21:36 horas, dadas as circunstâncias e toda a conjuntura envolvente, é impossível ter sido uma mera obra do acaso, uma simples coincidência. Só pode ser intervenção do Além.
Enquanto recupero forças e ganho coragem para relatar o aludido acontecimento recente, vou tentar retomar a minha narrativa, mais ou menos no tempo em que iniciei a pausa que agora termina.

Bom…

Volvendo ao ano de 1981, mais concretamente ao dia 10 de Agosto, uma segunda-feira de tórrido Verão, na qual vivi, de forma intensa e inolvidável, a procura pela minha “celestial diva”.

Nesse dia eu consegui fotografá-la. Claro que ela nem se apercebeu e a foto ficou toda tremida – eu tremia muito mais do que a foto pode retractar.

Esta foto é absolutamente real. Depois de digitalizada, recortei as demais pessoas que ficaram enquadras na foto original.

É a única fotografia real que tenho dessa minha celestial e eterna diva. Foi tirada numa rua da vila sede do concelho onde os dois residíamos, num dia de feira por volta de quatro horas da tarde.
Ninguém acreditará no valor que esta imagem tem para mim. Aliás, também eu tenho dificuldade em exprimir o quanto ela significa para mim. É impossível contabilizar o tempo que eu dispensei a “adorar” esta fotografia. Se ela pudesse falar e testemunhar tudo o que sabe sobre mim - tudo o que lhe revelei, todos os segredos que lhe confiei, todas as lágrimas que viu nos meus olhos, todos suspiros que observou… todas os sonhos, todas as alegrias, todas as desilusões e tristezas… todas os conselhos que lhe pedi, todos os beijos que lhe dei, todas as vezes que escutou o pulsar do meu coração quando eu me abraçava a ela… Meu Deus, ainda bem que ninguém imagina. Fico corado só de pensar naquilo que qualquer pessoa me diria se soubesse estas coisas.

O que pensará de mim quem ler este texto?

Provavelmente imaginará que sou demente. Talvez seja mais complacente e imagine que estou a inventar, pois ninguém é assim tão estúpido. Quiçá seja, apenas, benevolente ao ponto de ignorar tudo isto e dizer que se trata de mais uma postagem de um blogue medíocre, de um bloguista que não tem mais nada que fazer.

Como a verdade é cruel!...

Mas, sobre esta foto, ainda não disse tudo...

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Pausa III - recuperar forças...


Talvez eu esteja a exceder-me na exposição deste relato de factos da minha história de vida.

De qualquer forma, tenho por adquirido que contar uma das partes mais reservadas da minha história de vida não interessará a ninguém e, infelizmente, é improvável que os demais envolvidos acedam a este relato.

Tenho boas e sólidas razões para narrar esta história.

Antes de mais, falar deste assunto ajuda-me imenso a lidar com um problema que me persegue. Sei que deve ser difícil de acreditar (é-me indiferente se alguém acha que estou a inventar ou se acredita), mas carrego comigo um problema de difícil resolução. Eu sonho muitas vezes com a Isabel. Nestes anos todos não existiu um período de um mês sem eu sonhar com ela. É comum e recorrente eu sonhar com a Isabel uma ou duas vezes por semana. Todavia, o maior problema é quando isso acontece várias noites sucessivas, quando não, várias vezes durante uma noite. Ora, eu atravessei um desses períodos. Ninguém imagina o que isto custa!

Basta que haja uma dissensão, um amuo ou uma simples troca de palavras mais acesas com a minha consorte… e já sei oque vai acontecer de seguida. (Sei bem que isto custa a acreditar, mas é pura realidade.)

Falar disto, mesmo que seja um monólogo com o meu blogue, ajuda muito. Um dia destes contarei o que acontece no carro, todos os dias, quando me desloco para o trabalho.

Bom!...

Para ajudar, vou passar o fim-de-semana longe. Vou com o meu grupinho de teatro participar na reconstituição histórica da Batalha de Atoleiros. São uns 400Km de viagem e uns dias intensos, preenchidos e de pouco descanso. Porém, conviver e contracenar com a malta do Viv’arte (de quem me orgulho de ser amigo) vale o esforço. Já não estou habituado ao clima do Alentejo… mas não há problema.

Há um “senão”: também vai um colega da freguesia “dela”… conforta-me saber que ali somos todos, apenas, artistas amadores e, nestas ocasiões, nós usamos o nome da personagem e não do actor. 

O teatro, uma das artes que eu abandonei por causa daquela “diva”, faz-me descontrair, sobretudo quando envolve esgrima ou luta medieval com lança. Aliás, foi a esgrima que me fez voltar ao teatro. Infelizmente, talvez não consiga lutar. Uma lesão num joelho pode condicionar a minha prestação na guerra, mas há sempre outros papéis…

Na próxima semana estarei completamente recomposto, tenho a certeza.


Vila de Fronteira, distrito de Portalegre… here we go!!!!!